A presidente Dilma Rousseff comanda, na tarde desta segunda-feira, uma reunião com dez ministros para tratar do Encontro de Prefeitos, organizado pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI), nos dias 28, 29 e 30 de janeiro. Nesse período, prefeitos de todo o Brasil desembarcarão no Planalto Central, trazendo na bagagem uma lista de pedidos, mas o encontro na verdade é um chamado do Palácio do Planalto para envolver as administrações municipais em parcerias para implantação de programas do governo federal.
Dilma, que fará a abertura do encontro, na noite do dia 28 de janeiro, vai anunciar mais recursos da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) para obras nos municípios. Mas os prefeitos voltarão para suas cidades sem ver resolvida uma de suas principais preocupações: o aumento da folha de pagamentos, puxado pelo salário mínimo e o piso dos professores.
O encontro deverá reunir cerca de 20 mil pessoas, incluindo prefeitos, vices, secretários, assessores e vereadores. O governo deverá gastar cerca de R$ 3 milhões, incluindo recursos próprios da SRI e patrocínio de estatais e bancos oficiais, como Bando do Brasil, Caixa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Correios. Todos os ministérios estarão representados no evento, que foi organizado pela primeira vez em 2009. Estão confirmadas palestras de 17 ministros.
No discurso, Dilma vai reforçar a importância da parceria do governo federal com as prefeituras para implantação dos principais programas federais. Vai repetir o mantra de que promove uma administração republicana, sem distinção dos prefeitos pela cor partidária.
A presidente fará anúncios de novas seleções para programas do governo federal na área de maquinários, saneamento, mobilidade urbana e infraestrutura. Uma das promessas será mais recurso para o PAC Funasa, que atende obras de saneamento em cidades com até 50 mil habitantes. Na tarde desta segunda, a presidente vai acertar os anúncios que serão feitos na próxima semana, com os ministros Ideli Salvatti (SRI), Paulo Sérgio Passos (Transportes), Alexandre Padilha (Saúde), Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Miriam Belchior (Planejamento), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Guido Mantega (Fazenda) e Aloizio Mercadante (Educação).
Com relação ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a presidente reafirmará o compromisso de que, caso o repasse este ano seja menor do que o do ano passado, será feita uma complementação. No ano passado a presidente já havia feito essa combinação, mas não foi necessário complementar porque o repasse foi superior ao de 2011.
Uma das principais demandas dos prefeitos, no entanto, não receberá encaminhamento do Executivo Federal. Os prefeitos reclamam que algumas políticas nacionais que impactam nas contas das prefeituras, como o aumento do piso do professor e o aumento do salário mínimo, têm causado um problema grande nos orçamentos locais. No ano passado, o aumento do piso salarial dos professores foi de 22% e o do salário mínimo, 11%. O governo federal vai pedir a eles que batam em outra porta, a do Congresso Nacional, que tem o poder de mudar a regra de cálculo desses reajustes. Recentemente, o ministro da Educação disse que caso essa fórmula não seja modificada, novamente no ano que vem esses reajustes salariais trarão enorme problema para as prefeituras.
A ideia do governo é, neste encontro, apresentar aos novos prefeitos os programas federais, os caminhos para acessá-los e as orientações técnicas para implantá-los. Nos 5.568 municípios, 1.510 prefeitos foram reeleitos. Os demais estão começando uma nova gestão. O governo vai distribuir o guia de orientação do início de mandato, com informações sobre organização da federação, elaboração da lei orgânica, código tributário municipal, plano diretor, lei orçamentária e gestão financeira, entre outros temas.
O convite aos prefeitos foi feito pela própria presidente, em carta enviada no dia 31 de dezembro de 2012. A SRI está telefonando para todas as prefeituras reforçando o convite. Pelo menos 3.200 prefeitos já foram contatados via telefone. A SRI tem esclarecido aos prefeitos que o pagamento das despesas de deslocamento, hospedagem e alimentação durante o evento é de responsabilidade dos municípios.
O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, disse ontem que tem incentivado o comparecimento dos prefeitos ao encontro.
- O encontro é para o governo apresentar seus programas. Todos devemos ir e ouvir. Mas, antes de aderir aos programas, é preciso ver se eles cabem nas finanças do município. Os programas federais são ótimos e necessários, mas a manutenção fica por conta das prefeituras – disse.
Para mostrar a necessidade de avaliação do impacto de cada programa nas contas municipais, Ziulkoski citou a implantação de creches. Segundo ele, o governo paga R$ 250 mensais por criança numa creche pública, mas o custo chega a R$ 750, e a diferença é bancada pelas prefeituras.
O Globo