sábado, 25 de outubro de 2014

Leia a íntegra da reportagem da VEJA sobre “Eles sabiam de tudo”

A Carta ao Leitor desta edição termina com uma observação altamente relevante a respeito do dever jornalístico de publicar a reportagem a seguir às vésperas da votação em segundo turno das eleições presidenciais: “Basta imaginar a temeridade que seria não publicá-la para avaliar a gravidade e a necessidade do cumprimento desse dever”. VEJA não publica reportagens com a intenção de diminuir ou aumentar as chances de vitória desse ou daquele candidato. VEJA publica fatos com o objetivo de aumentar o grau de informação de seus leitores sobre eventos relevantes, que, como se sabe, não escolhem o momento para acontecer. Os episódios narrados nesta reportagem foram relatados por seu autor, o doleiro Alberto Youssef, e anexados a seu processo de delação premiada. Cedo ou tarde os depoimentos de Youssef virão a público em seu trajeto na Justiça rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para o julgamento de parlamentares e autoridades citados por ele e contra os quais garantiu às autoridades ter provas. Só então se poderá ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são ou não culpadas.
Na última terça-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatórios da Polícia Federal em Curitiba para prestar mais um depoimento em seu processo de delação premiada. Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, colocou os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se pôs à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais. A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado des­de março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, a cabeça raspada e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras. Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens à trama criminosa, que agora atinge o topo da República.

Assista o debate da TV Globo entre Aécio e Dilma na íntegra

Debate quente na TV Globo


No último debate da campanha presidencial, nesta sexta-feira à noite, na TV Globo, a troca de acusações que marcou a campanha veio logo no início do embate entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves(PSDB). O tucano, em sua primeira intervenção, disse que era alvo de boatos, como o de que tiraria do cadastro beneficiados pelo Bolsa Família, e lembrou o escândalo da Petrobras, com as denúncias veiculadas esta semana pela revista “Veja”, segundo as quais o doleiro Alberto Youssef acusou Dilma e e o ex-presidente Lula de saberem dos desvios na estatal.
— Essa campanha vai passar para a História como a mais sórdida. A calúnia e a infâmia foram feitas não só em relação a mim, em relação a Eduardo Campos, a Marina. Isso é um péssimo exemplo. A revista publica que um dos delatores disse que a senhora e Lula tinha conhecimento da corrupção na Petrobras. A senhora sabia da corrupção na Petrobras?
Em resposta, Dilma acusou o tucano de fazer uma campanha “extremamente agressiva” contra ela e negou as denúncias. Afirmou que a revista faz “oposição sistemática” aos governos petistas e promove um “golpe eleitoral”.
— A “Revista Veja” não apresenta nenhuma prova do que faz. Manifesto a minha inteira indignação porque a revista tem hábito de, na reta final das campanhas, tentar dar um golpe eleitoral e isso não é a primeira vez. Fez em 2002, em 2006, em 2010 e agora faz em 2014. O povo não é bobo e sabe que está sendo manipulada essa informação porque não foi apresentada nenhuma prova. Irei à Justiça para me defender.

COMPARAÇÕES ENTRE GOVERNOS

Aécio manteve a ofensiva e, ao abordar os problemas de infraestrutura do país, criticou o governo federal por ter investido R$ 2 bilhões na construção do Porto Muriel, em Cuba, quando, disse, o país carece de investimentos em ferrovias e portos. Na resposta, Dilma usou a estratégia, repetida ao longo do debate, de comparar os governos petistas com os de Fernando Henrique Cardoso. Disse que a iniciativa será benéfica para empresas brasileiras e afirmou que o ex-presidente também financiou empresas para “colocar produtos em Cuba e Venezuela”.

Nas seguidas comparações que fez com governos tucanos, Dilma acusou o PSDB de ter deixado o Banco do Brasil com uma “grave dívida” e de ter quebrado a Caixa Econômica Federal e o BNDES.
— Vocês reduziram (os bancos) ao tamanho que achavam que devia ter — disse Dilma.
A presidente ouviu então de Aécio a acusação de que o PT aparelha a máquina pública.

— O Banco do Brasil tem 37 diretorias, um terço delas ocupadas por filiados do PT.
No debate econômico, Dilma disse que não era verdade que ela é a primeira presidente a a entregar um governo com a inflação maior do que recebeu:
— No últimos dez anos tivemos dentro dos limites da meta. Quem não mantinha (a meta) era o governo Fernando Henrique.
— Quer dizer que foi o PT que controlou a inflação e não nós? Tenho orgulho de ter um aliado como o Fernando Henrique, a quem a senhora teceu elogios.

PARTICIPAÇÃO DE INDECISOS

No segundo bloco, em que, pela primeira vez, eleitores indecisos fizeram perguntas diretamente aos candidatos, a discussão se voltou para a vida real, tornando o debate menos agressivo e mais propositivo. Logo na primeira pergunta, sobre os altos aluguéis, Dilma e Aécio foram obrigados a discutir a inflação, sem acusações mútuas.
Dilma aproveitou a pergunta para falar de um de seus principais programas, o Minha Casa Minha Vida, destacando que ele contempla quem ganha até R$ 5 mil, com faixas de subsídio. A candidata disse que seu compromisso é fazer mais três milhões de casas, ampliando as faixas de renda.
— Tenho certeza de que você poderá ser contemplado caso seja uma das pessoas sorteadas — disse Dilma, dirigindo-se ao eleitor.
Aécio procurou desconstruir os números oficiais. Disse que foi entregue apenas metade das três milhões de casas anunciadas. O tucano prometeu ampliar os programas de habitação no país.
A pergunta sobre educação proporcionou um confronto de realizações entre Dilma, no governo federal, e Aécio, no governo de Minas Gerais. No entanto, os candidatos convergiram sobre a necessidade de mais creches, melhora no ensino médio e na valorização dos professores.
Sobre o tema da corrupção, levantado por uma eleitora de Minas, Dilma concordou que a lei é branda para punir corruptos e corruptores e enumerou propostas que fez para endurecer a lei. Aécio disse que a eleitora expressava o sentimento de indignação de milhões de brasileiros com a corrupção e afirmou que algumas propostas listadas por Dilma tramitaram no Congresso, mas sem empenho do governo em aprová-las.
— Existe uma medida acima de todas as outras para combater a corrupção, tirar o PT do governo — afirmou o tucano.

‘MEU BANHO MINHA VIDA’

No terceiro bloco, em que os candidatos voltaram a fazer perguntas entre si, Dilma alfinetou os tucanos ao falar sobre a importância do planejamento e em seguida lembrou a falta de água em São Paulo, governada pelo PSDB. Aécio disse que faltou planejamento, mas do governo federal, que, segundo ele, não teria colaborado com o governo paulista. Citou o Tribunal de Contas da União (TCU), que teria acionado o governo federal por isso. Dilma procurou ser irônica e, após, dizer que água é responsabilidade dos governos estaduais, citou o humorista José Simão:
— Vocês estão levando o estado para ter o programa “meu banho minha vida”.
Aécio, que já havia citado o “Petrolão”, referência ao escândalo da Petrobras, lembrou o julgamento do mensalão e voltou a criticar o PT por tratar os petistas condenados como “heróis nacionais”. E perguntou a Dilma o que achava da condenação do ex-ministro José Dirceu. Sem responder diretamente ao tucano, a presidente lembrou o mensalão mineiro, no governo do tucano Eduardo Azeredo (a quem chamou de Renato Azeredo):


— O mensalão do meu partido teve condenados. No mensalão do seu partido, não teve condenados nem punidos — disse Dilma, lembrando outros escândalos envolvendo tucanos que, segundo ela, não tiveram punição, como Sivam e pasta rosa.
Aécio contra-atacou e disse que um dos principais envolvidos no mensalão mineiro é ligado ao PT:
— Walfrido Mares Guias foi coodenador de sua campanha em Minas — afirmou Aécio.

O GLOBO

TSE nega pedido de coligação petista para retirar reportagem da Veja do ar

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou nesta sexta-feira (24) pedido de retirada da reportagem publicada na quinta-feira (23) na página do Facebook da revista Veja, segundo a qual a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são citados em um suposto depoimento do doleiro Alberto Youssef. O pedido foi feito pela coligação Com a Força do Povo, que apoia a candidatura de Dilma à reeleição. A matéria foi publicada com o título "Tudo o que você queria saber sobre o escândalo da Petrobras: Dilma e Lula sabiam”. Segundo a reportagem, Youssef disse que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Na representação, a coligação de Dilma acusa Veja de ter antecipado a edição para sexta-feira para "tentar afetar a lisura do pleito eleitoral". A representação diz ainda: "a matéria absurda de capa [...] imputa crime de responsabilidade à candidata Representante (...) e a mensagem ofensiva da capa da revista tem por objetivo bem delineado: agredir a imagem da candidata Representante". Para negar o pedido, o ministro Admar Gonzaga alegou que o artigo da lei eleitoral citado na representação (Artigo 57-D, Parágrafo 3º, da Lei das Eleições) para pedir a retirada do ar não está em vigor nas eleições deste ano. Com isso, a representação foi arquivada, sem julgamento sobre o conteúdo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Ex-presidente Lula: noite na suíte mais cara do Copacabana Palace

Lula discursa em carro aberto durante evento no Calçadão de Âlcantara. - Guito Moreto / O Globo
RIO - Na manhã de ontem, num evento de campanha realizado no Calçadão de Alcântara, em São Gonçalo (RJ), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lembrou sua origem humilde e destacou que é filho de mãe analfabeta. Em seguida, em cima de um carro aberto, usando o clássico boné vermelho, acusou o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, de ser “filhinho de papai” e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ser da elite e de “não querer que o pobre estudasse”.
— A elite brasileira não queria que pobre estudasse. Lugar de pobre não é ser pedreiro, é ser engenheiro. Isso que incomoda essa gente. O que eles não gostam é que nós aprendemos a andar de cabeça erguida — disse Lula, que, pouco depois de encerrado o evento, por volta do meio-dia, fez check-in na suíte presidencial do Copacabana Palace, um quarto de 300 metros quadrados, que custa R$ 7 mil por dia. Outros três quartos, com diária de pelo menos R$ 1.500, também foram utilizados por sua comitiva na passagem pelo Rio de Janeiro.
Segundo revelou o blog da coluna Gente Boa na tarde de ontem, o espaço batizado como “penthouse” fica no sexto andar do edifício mais famoso de Copacabana e divide um terraço e uma piscina de pastilhas negras com apenas outros seis apartamentos — justamente aqueles que têm as diárias mais caras do hotel.
O quarto de número 601, escolhido por Lula, tem vista para o mar, dispõe de serviço de mordomo 24 horas por dia e de “uma adega especial de vinhos exclusivos”.
Além disso, o hóspede tem direito a menu de travesseiros e recebe uma chave especial, utilizada no elevador para manter o acesso restrito ao andar exclusivo.
Por essas características de luxo e segurança, a “penthouse” já acolheu personalidades do mundo da política, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy. Já hospedou ícones da cultura internacional, como o roqueiro Mick Jagger, o ator Tom Cruise, a cantora Madonna e o astro Will Smith. Segundo consta, é a preferida da modelo internacional Gisele Bündchen, mas jamais recebeu a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff.
INSTITUTO NEGA PERNOITE
O check-in de Lula, que não estava acompanhado pela esposa, Marisa Letícia, foi feito logo após o evento em São Gonçalo. Em seguida, ele entrou no quarto e por lá ficou. Por volta das 17h, o ex-presidente alterou seus planos e retornou a São Paulo. Ele deixou o hotel pouco depois, levando suas malas. O hóspede da “penthouse“ não precisa ir ao balcão para realizar o check-out. Este é mais um dos benefícios criados pelo hotel para agradar aos clientes do sexto andar.
Na reserva original do petista, realizada por uma agência de viagens, estavam previstos oito quartos, entre eles a “penthouse”. No entanto, apenas quatro foram efetivamente utilizados pela comitiva. O quarto de Lula é citado pelo site de hotelaria Web Luxo como uma das suítes mais cara do país. Não há informações, no entanto, sobre a categoria e o valor dos outros apartamentos. A diária mais barata do Copacabana Palace ontem era de R$ 1.500.

Enquanto Lula se hospedava no Copa, Dilma Rousseff passou o dia no hotel Windsor Barra, na Zona Oeste do Rio.
Procurado para comentar a reportagem, o Instituto Lula informou que o ex-presidente não pernoitou no Copacabana Palace. Destacou que ele apenas almoçou no hotel e que passaria a noite de ontem em São Paulo. Os assessores de imprensa da entidade afirmaram que Lula teve gastos no Copa, mas não souberam dizer se eles seriam pagos pela campanha da presidente Dilma Rousseff ou pelo próprio instituto.
A passagem de Lula pelo Copacabana Palace lembra o episódio de 2002, quando o então candidato do PT à presidência recebeu do marqueteiro Duda Mendonça uma garrafa do famoso vinho Romanée-Conti. A bebida serviu para brindar o fim de um debate realizado na TV Globo. Na época, a garrafa safra 1997 valia cerca de R$ 6 mil. O GLOBO

TSE aprova envio de força federal para mais dez municípios do Nordeste

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou na sessão administrativa desta quarta-feira (23) o envio de força federal para mais dez municípios, sendo seis no Ceará – Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Sobral, Crateús e Aracati; três na Paraíba – Patos, Pombal e Cajazeirinhas; e um no Piauí – Miguel Alves.
A força vai atuar na garantia da ordem e da normalidade do segundo turno das eleições gerais que acontecem no próximo dia 26 de outubro.
O pedido de requisição de força federal para o Ceará foi relatado pelo ministro João Otávio de Noronha. Os demais foram relatados pela ministra Maria Thereza de Assis Moura.

Testes de vacinas contra o ebola devem começar em dezembro

Os primeiros testes de vacinas do vírus ebola devem começar em dezembro na África Ocidental e centenas de milhares de doses poderão estar disponíveis em meados de 2015, anunciou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Tudo está a ser preparado para começar os testes nos países afetados ainda em dezembro", afirmou a diretora-geral adjunta Marie-Paule Kieny, antecipando que centenas de milhares de doses poderão estar disponíveis "na primeira metade" do próximo ano.
As declarações de Marie-Paule foram feitas depois que a agência de saúde das Nações Unidas se reuniu na quinta-feira (23) a portas fechadas com peritos médicos, responsáveis de países afetados pela epidemia, empresas farmacêuticas e organizações financeiras.
Neste momento, há duas vacinas experimentais que são as principais candidatas aos testes: uma oriunda do Canadá, outra de uma empresa farmacêutica britânica. Outras cinco estão em estudo.
A diretora indicou que o plano inicial é começar pela Libéria e que há discussões para incluir Serra Leoa e Guiné-Conacri nos testes da vacina, que ainda dependem da primeira fase de ensaios clínicos em vários países europeus e africanos, em que se tentará garantir que os produtos são eficazes e seguros.
"A vacina não é uma bala mágica [contra o vírus]", alertou Marie-Paule. EBC

Editorial: O massacre de reputações promovido pelo PT é algo sem precedentes na história do Brasil


Foram dias de massacre de reputações sem precedentes. Para se manter no poder, os articuladores da candidata Dilma Rousseff adotaram o que chamaram de estratégia de desconstrução do adversário cuja essência era um bombardeio de mentiras e calúnias, transformando essa na mais torpe eleição dos últimos tempos.


Nas peças de campanha e nas palavras dos principais arautos petistas, liderados pelo ex-presidente Lula, o oponente de Dilma, Aécio Neves, foi classificado de nazista, que agride mulheres, não gosta de trabalhar, tem problemas com bebida e, para completar, iria desempregar os brasileiros e acabar com o programa “Bolsa Família”.

Qualquer um que avaliasse mais detidamente a tática oficial, que despejou milhões em campanha, poderia perceber a inconsistência de tamanha artilharia de insultos e ilações – e o intuito por trás dela. Nada ficaria de pé nesse carnaval de difamações. Mas o seu martelar incessante nas propagandas de TV, nas mídias digitais e nos palanques Brasil afora foi inebriando massas, tentando convencê-las de uma falsa luta do bem contra o mal, de “nós contra eles”. Faltou lucidez e a esperança de parte da população foi embalada por quem controla a máquina numa caixa de promessas vazias. Nas ruas a militância partidária, incessante no seu afã de caluniar, distribuía panfletos apócrifos com teores terroristas, falando da ameaça que viria de uma vitória da oposição.

Era o apogeu de um plano covarde que se repetia depois da destruição implacável imposta à ambientalista Marina Silva, chamada até de homofóbica e acusada de assassinato de um manifestante gay por parte de seus seguranças, segundo ela mesma informou em entrevista ao jornal britânico Financial Times. Indignada com o jogo sujo, Marina fez uma declaração de apoio aberto a Aécio e às mudanças propostas por ele que estão no bojo de um amplo anseio da Nação.

Depois das urnas, qualquer que seja o seu resultado, torna-se imperativa uma revisão das regras eleitorais que abriram margem a tantas manobras rasteiras. Os golpes baixos no plano pessoal e na biografia de conquistas administrativas do mineiro, cuja gestão no governo de seu estado mereceu aprovação recorde, somaram-se a um estratagema maroto de esconder a realidade de crise evidente. Nos últimos quatro anos, os números atestam, o País vive uma paralisia econômica que se agrava, com descontrole dos gastos públicos e desmoralização de instituições como a Petrobras, cujos cofres foram assaltados por partidários do Governo, que desviaram bilhões.

Seguir nesse caminho insano é insistir em um erro, de consequências imprevisíveis, que pode levar muito tempo para se consertar e cujo único antídoto, ou resposta eficaz, está na urna eleitoral. ISTO É

Camilo abre vantagem no Interior; Eunício lidera na Capital e RMF

O crescimento de Camilo Santana (PT) na pesquisa O POVO/Datafolha foi registrado quase integralmente no Interior. No total do Estado, o petista cresceu quatro pontos percentuais e chegou a 49% das intenções de voto, 57% dos votos válidos. Só no Interior, o avanço do candidato foi de oito pontos percentuais. Ele tem agora 56% das intenções totais de voto.


Já Eunício Oliveira (PMDB) oscilou negativamente dois pontos e ficou com 38%, equivalente a 43% dos votos válidos. No Interior, porém, ele caiu os mesmos oito pontos percentuais que Camilo cresceu. O peemedebista tem agora 33% das intenções de voto nessa parte do Estado.

Em Fortaleza e Região Metropolitana, situação inversa. Eunício subiu seis pontos e alcançou 45%. Camilo oscilou negativamente um ponto e ficou com 39%.

Aécio Neves lidera com nove pontos de vantagem sobre Dilma

Pesquisa ISTOÉ/Sensus realizada a partir da terça-feira 21 reafirma a liderança de Aécio Neves (PSDB) sobre a petista Dilma Rousseff nos últimos dias da disputa pela sucessão presidencial. Segundo o levantamento que entrevistou 2 mil eleitores de 24 Estados, o tucano soma 54,6% dos votos válidos, contra 45,4% obtidos pela presidenta Dilma Rousseff. Uma diferença de 9,2 pontos percentuais, o que equivale a aproximadamente 12,8 milhões de votos. A pesquisa também constatou que a dois dias das eleições 11,9% do eleitorado ainda não decidiu em quem votar. “Como no primeiro turno, deverá haver uma grande movimentação do eleitor no próprio dia da votação”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus. Se for considerado o número total de votos, a pesquisa indica que Aécio conta com o apoio de 48,1% do eleitorado e a candidata do PT 40%. ISTO É

Eunício e Camilo evitam o confronto em debate da TV Verdes Mares

O último debate entre os candidatos a governador do Ceará, Camilo Santana (PT) e Eunício Oliveira (PMDB), promovido ontem à noite pela TV Verdes Mares, apresentou poucos ataques entre os postulantes. Nem mesmo quando o tema abordado foi a corrupção os adversários trocaram acusações.

Em vários momentos do embate, ficou perceptível a semelhança entre as propostas dos dois candidatos, principalmente para as áreas da saúde e segurança pública.

Camilo Santana abriu a rodada de perguntas com o tema da saúde. Ressaltando a proposta de levar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para todos os municípios com mais de 50 mil habitantes e citando a ampliação da rede de policlínicas, o petista questionou o adversário sobre os planos do peemedebista para a saúde do Estado.

“Quero deixar claro que o sistema de saúde no Ceará precisa ser ampliado, mas precisa fundamentalmente funcionar”, respondeu Eunício Oliveira, prometendo a contratação de 12 mil profissionais da saúde. O postulante alfinetou o petista ao afirmar que, caso eleito, escolherá um secretário de Saúde especializado no assunto, em referência ao atual secretário Ciro Gomes. Eunício ainda frisou que a atual gestão só investiu em prédios para a saúde, mas não em pessoas.

Durante o debate, tanto Eunício como Camilo prometeram a construção de mais dois hospitais no Estado: um na Região Metropolitana de Fortaleza e outro na Região do Jaguaribe. “O Ceará hoje tem uma rede de saúde pública que não existia antes”, declarou Camilo Santana.

Ainda no primeiro bloco, Eunício Oliveira perguntou o que Camilo Santana faria para resolver a situação de 500 mil jovens que supostamente estão sem emprego e fora da escola. O número gerou divergências entre os pleiteantes, já que o petista disse que não conhece os dados, enquanto o peemedebista se resumiu a afirmar que são do IBGE.

Trabalho

Das propostas voltadas para a juventude, Eunício defendeu o programa Viva o Trabalho, com recursos do Fundo de Combate à Pobreza, para incentivar os jovens a criar a primeira empresa, acrescentando a inclusão de 200 mil alunos nas escolas de tempo integral. Por sua vez, Camilo prometeu implantar o programa chamado primeiro negócio, que ofertará um valor máximo de R$ 15 mil reais a jovens com até 29 anos para incentivar a entrada no mercado de trabalho.

Outra pauta que entrou no debate foi o desenvolvimento industrial do Ceará, quando Camilo indagou Eunício acerca das propostas para reforçar a infraestrutura do Estado para atrair investimentos como a siderúrgica. “Primeiro é preciso que se diga que o Ceará há muito tempo não atrai uma indústria (...) Vou dar todas as condições para que as indústrias possam se instalar no Interior. O Ceará não é só o Porto do Pecém”, criticou Eunício.

Enquanto isso, Camilo Santana reforçou o incremento do polo metal-mecânico do Estado e os avanços no abastecimento hídrico e elétrico do Ceará. “O Estado antes era importador de energia, hoje é exportador e 36% é renovável. Hoje não falta água na Região Metropolitana de Fortaleza, porque houve planejamento”, aponta, citando também projetos executados na atual gestão, como o Cinturão das Águas.

No segundo bloco, mesmo sorteando o tema corrupção como mote para a pergunta, Eunício Oliveira se resumiu a perguntar a Camilo Santana o que o petista fez para coibir essa prática quando era secretário de Governo e deputado estadual. “Nessa área, o Estado tem um portal da transparência, que quero aperfeiçoar, e regulamentou a Lei de Acesso à Informação. É preciso que haja um controle social dos gastos públicos”, enfatizou Camilo.

Ficha Limpa

Eunício Oliveira preferiu investir na defesa da Ficha Limpa, lembrando que foi autor da emenda que amplia a aplicação da legislação. “Ela foi criada pela iniciativa popular e ampliada pelo senador Eunício Oliveira”, pontuou o postulante.

Quando a pauta foi a segurança pública, os pleiteantes a governador do Ceará também mostraram alternativas similares para resolver o problema, defendendo a ampliação do Raio para o Interior do Estado. Camilo diz que vai levar 150 equipes à Capital e ao Interior, enquanto Eunício relatou a necessidade de investir em helicópteros para investigação da Polícia.

Policiais separam militantes na praça

Desta vez a militância não teve espaço para o confronto. O pessoal do Camilo Santana e de Eunício Oliveira ficou separado, há uma distância de aproximadamente 50 metros, por duas fileiras de policiais. No debate realizado no primeiro turno, briga entre os dois grupos.

O grupo do Camilo Santana começou a chegar logo depois das 18 horas. O do Eunício tomou o seu lugar pouco tempo depois. Mais de cem homens da Polícia Militar começaram a delimitar os espaços dos manifestantes desde o fim da tarde, quando a rua de frente ao prédio da televisão Verdes foi interditada para o trânsito e ocupada só por viaturas militares.

Logo quando foram definidas a data e as regras do debate, os coordenadores das duas campanhas foram advertidas sobre a possibilidade de um novo confronto entre os militantes e se comprometerem em reduzir o número deles à noite de ontem. Sem como poderem se digladiar, os dois grupos ficaram apenas cantando músicas das campanhas até pouco depois da chegada dos candidatos. Eunício e Camilo chegaram à TV com uma hora de antecedência. Diário do Nordeste

A batalha final: Aécio e Dilma hoje na Globo

Com a vantagem que Dilma Rousseff abriu nas pesquisas, os petistas acreditam que Aécio Neves chegará ao debate da Globo 'com a faca nos dentes'. A equipe da presidente está certa de que o tucano vai explorar ao máximo o escândalo da Petrobras para acusá-la de conivência com a corrupção. Se o tom for muito pesado, Dilma deve partir para o contra-ataque, tentando vincular o adversário a práticas de corrupção e nepotismo. Caso contrário, ela deve se esquivar do confronto.
A avaliação é de Bernardo Mello Franco, hoje, na Folha de S.Paulo. Os dilmistas dizem que a presidente não precisa vencer o debate de hoje, diz o colunista. Bastaria não cometer nenhum deslize grave e deixar o tempo correr.
''Os aecistas consideram o encontro a última chance de virar o jogo. Dizem que o tucano precisa demonstrar uma clara superioridade, mas sem passar agressividade ou arrogância.''