sábado, 26 de janeiro de 2013

Liberdade de expressão ameaçada


Reconhecido no final do ano passado com o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, entre as várias homenagens recebidas por seu trabalho nos últimos anos, o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, que edita há 25 anos o Jornal Pessoal, foi novamente condenado pelo Judiciário paraense.
Desta vez, ele deverá pagar quantia próxima a R$ 410 mil (ou 600 salários mínimos) ao empresário Romulo Maiorana Júnior e à empresa Delta Publicidade S/A, de propriedade da família Maiorana, também detentora de um dos maiores grupos de comunicação das regiões Norte e Nordeste, as Organizações Romulo Maiorana.
A decisão da desembargadora Eliana Abufaiad, que negou o recurso interposto pelo jornalista no primeiro semestre de 2012, data de 21 de novembro de 2012, mas foi publicada apenas em 22 de janeiro com uma incorreção e, por causa disso, republicada na última quarta-feira, dia 23. O jornalista vai recorrer da decisão, tentando levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas teme que a condenação seja confirmada.
Romulo Maiorana Júnior alega ter sofrido danos morais e materiais devido à publicação, em 2005, do artigo “O rei da quitanda”, no qual o jornalista abordava a origem e a conduta do empresário à frente de sua organização. Por causa desse texto, em 12 de janeiro do mesmo ano, Lúcio Flávio foi agredido fisicamente pelo irmão do empresário, Ronaldo Maiorana, junto com dois seguranças deste em um restaurante de Belém.
Depois da agressão, o jornalista também se tornou alvo de 15 processos judiciais, penais e cíveis, movidos pelos irmãos. Chegou a ser condenado em 2010 a pagar uma quantia de R$ 30 mil, mas recorreu da decisão do juiz Francisco das Chagas. A recente decisão da desembargadora Eliana Abufaiad, se confirmada, significará um duro golpe às atividades desempenhadas por Lúcio Flávio, que não dispõe de recursos financeiros para arcar com as indenizações.
Desde os anos 1990 foram movidos contra ele mais de 30 processos judiciais, que representam uma tentativa de inviabilizar a produção de um  jornal alternativo que denuncia fraudes e desmandos de empresários e grupos de poder locais.
Lúcio Flávio Pinto, que perdeu todas as vezes em que recorreu das condenações judiciais e vê nesses processos uma clara tentativa de impedir a realização do seu trabalho jornalístico, lamenta o fato de juízes e o próprio Tribunal de Justiça do Pará não terem avaliado o mérito dos recursos por ele apresentados.
“Os tribunais se transformaram em instâncias finais. Não examinam nada, não existe mais o devido processo legal. E isso não acontece só comigo. São milhares de pessoas em todo o Brasil, todos os dias, que não têm direito ao devido processo legal. Em 95% dos casos julgados no país, rejeitam-se os recursos. Não tem jeito”, afirma, novamente temeroso diante da situação, por não acreditar que o STJ acolha o seu recurso. Ele informa que há outra ação judicial em curso, ainda a ser julgada, na qual Romulo Júnior pede R$ 360 mil de indenização também por danos morais e materiais.
Lúcio ficou ainda mais conhecido no início de 2012 quando foi alvo de uma condenação judicial que mobilizou pessoas e organizações, nacionais e estrangeiras, para levantar os recursos necessários para indenizar a família do falecido empresário Cecílio do Rego Almeida, que o processou por ser chamado de “pirata fundiário” em reportagem que denunciou a tentativa de fraude e de apropriação indevida de quase 5 milhões de terras públicas na Amazônia, fato depois confirmado pelo próprio poder público local.
* Jornalistas de Belém (PA), integram o Movimento Somos Todos Lúcio Flávio Pinto.

‘Crack, é Possível Vencer’ será ampliado a todos os municípios


A presidente Dilma Rousseff pretende anunciar na próxima semana, durante o Encontro Nacional com Novos Prefeitos, em Brasília, uma extensão do programa de combate ao uso de crack.
Restrita no primeiro ano às capitais de 14 estados, a campanha ‘Crack, é Possível Vencer’ será colocada à disposição dos mais de 5 mil municípios brasileiros.


A presidente avalia que os primeiros 12 meses do projeto foram bem sucedidos e já há base de controle e implantação desenhada e testada que garantem ampliar sua abrangência.

A ofensiva deve ser turbinada com um orçamento mais robusto. Criado em dezembro de 2011, sob três eixos de atuação (cuidado, autoridade e prevenção), o programa recebeu R$ 4 bilhões até dezembro passado.

IG

PSB X PMDB

O PSB trabalha para convencer o PT e a presidente Dilma que o PMDB não tem peso político, no parlamento e na sociedade, para ter o vice-presidente da República e as presidências da Câmara e do Senado. Dizem que o PMDB não tem mais governos estaduais importantes e, estaria, portanto, vivendo das glórias do passado.

Candidato a tesoureiro da OAB tem bens bloqueados pela Justiça


Um dos candidatos a diretor-tesoureiro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) nacional, Ercílio Bezerra de Castro Filho está com seus bens bloqueados pela Justiça de Tocantins em uma ação por improbidade administrativa.
Castro Filho faz parte da chapa do atual vice-presidente Alberto de Paula Machado, que disputa a presidência com o secretário-geral Marcus Vinicius Furtado Coêlho.
O advogado, que foi presidente da OAB de Tocantins, foi acusado pelo Ministério Público de se envolver em um suposto esquema de desvio de verbas de uma fundação pública de ensino.

Dilma segue script de Lula e enaltece marcas sociais dos governos petistas


Horas depois de participar de uma reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na capital paulista, a presidente Dilma Rousseff fez na sexta-feira, 25, uma defesa enfática de sua gestão e dos programas sociais lançados pelo antecessor e mantidos por ela, além de enaltecer a política econômica do País, alvo de críticas da oposição e de setores produtivos.
A petista se encontrou com o ex-presidente por cerca de quatro horas no hotel Renaissance, na região dos Jardins, em São Paulo. A reunião ocorreu em uma suíte no 25.º andar do hotel, por onde também passaram os ministros Guido Mantega (Fazenda) e José Eduardo Martins Cardozo (Justiça).
Dilma e Lula discutiram a agenda para 2013 e debateram a conjuntura econômica, num momento em que o petista tem demonstrado preocupação com a gestão da aliada na Presidência da República. Acha que falta mobilidade e mais comunicação com setores da sociedade, principalmente num ano pré-eleitoral.
Na sexta, durante o lançamento de cinco programas do governo federal em São Paulo, a presidente seguiu orientações políticas do antecessor de destacar realizações sociais dos governos petistas e desafiar setores da oposição, que também criticam o imobilismo da atual gestão.
Seguindo o script de Lula, Dilma enalteceu em seu discurso de ontem as marcas dos governos petistas nas áreas de saúde, educação e habitação - em especial o Minha Casa, Minha Vida.
"Hoje, o Brasil tem um dos maiores programas de moradia popular do mundo. Por que isso? Porque nós optamos", disse Dilma. "Teve uma época que falar em moradia popular era muito mal visto, era considerado um absurdo. Quero dizer o contrário: gente com responsabilidade tem que ver que sua população não pode morar em favelas."
Sucessão em SP. Também alertada por Lula, Dilma começa a abrir espaço para os ministros petistas que almejam disputar o governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde). Disse ter "orgulho" do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), tocado por Padilha, e chamou de "fundamentais" as escolas técnicas e universidades federais, a cargo de Mercadante.
Nas últimas semanas, Lula manifestou a interlocutores a sua preocupação com a administração de sua sucessora. Para ele, o governo está isolado, e a gestão, centralizada. O ex-presidente recebeu reclamações de empresários e de políticos que não conseguem ter acesso à presidente. O petista avalia que o terceiro ano do mandato é determinante para fazer a gestão decolar, pavimentando, assim, o caminho para a reeleição da presidente.
Os dois já haviam tido uma primeira conversa em dezembro, durante uma viagem a Paris, quando o petista colocou para a Dilma o seu diagnóstico. No encontro, falou do isolamento do governo e da necessidade de a presidente conversar mais com representantes da sociedade, entre os quais o empresariado.
Dilma começou a acatar as orientações do petista e, já no começo deste mês, intensificou os contatos com executivos de empresas nacionais e multinacionais. Também pretende abrir espaço na agenda para políticos.
As críticas nos bastidores feitas por Lula e a própria movimentação política nos últimos dias, que se intensificou em relação ao ano passado, passaram a ser interpretadas como uma Eventual volta dele ao cenário eleitoral como candidato em 2014.O ex-presidente negou a pretensão de concorrer.
O encontro entre os dois ontem em São Paulo, com foto divulgada pela equipe do Instituto Lula, teve com objetivo mostrar ainda que aliança entre os dois está sólida. A reunião serviu para mostrar a unidade da dupla.
Economia. Também no hotel Lula se encontrou com Mantega para se informar sobre a situação econômica do País - o PIB de 2012 deve crescer em torno de 1%. Para o petista, se a Economia não deslanchar, a reeleição de Dilma será colocada em xeque.
No evento de sexta, Dilma garantiu que a economia crescerá "muito" e defendeu a redução de tarifas de energia, que confirmou em um pronunciamento no TV na última quarta-feira. "Abaixamos a conta de luz porque podíamos e isso vai ser uma coisa boa para o Brasil continuar crescendo. Mesmo que tenha gente que fique pessimista, vocês não acreditem, não. O Brasil vai crescer, está crescendo e vai cada vez mais garantir renda e emprego para a população", completou a presidente.

Estadão

PSDB assedia partidos aliados ao governo Dilma


O comando do PSDB já colocou em curso uma silenciosa operação para tentar desidratar o palanque de Dilma Rousseff em 2014.
Governadores tucanos têm assediado partidos da base federal com promessas de cargos e ampliação de espaço nas administrações locais.
No Paraná, PSC, PP e PMDB vêm sendo contemplados com secretarias. Em São Paulo, Geraldo Alckmin negocia com PP, PRB e até PMDB, parceiro de Dilma.
A estratégia se repete em outros Estados liderados pela sigla oposicionista, como Minas Gerais, Alagoas, Goiás, Roraima e Pará.
No mapa tático há um objetivo não declarado: chegar ao segundo trimestre do ano eleitoral com canais suficientes para multiplicar ao máximo o número da candidaturas presidenciais, roubar para si aliados hoje na órbita federal e, onde isso não for possível, obter desses partidos o compromisso de não apoiar nem PSDB nem PT na corrida nacional.
Quanto mais postulantes houver, maiores as chances de segundo turno, e quanto mais partidos deixarem a coalizão federal, menos tempo de TV terá a petista.
Dilma, aliás, que fez sua primeira campanha eleitoral com um grande arco de alianças em 2010, pode não repetir a façanha de um palanque tão vasto em 2014.

Procurador Geral da República denuncia Renan no caso dos bois de Alagoas


O procurador Geral da República, Roberto Gurgel, denunciou o candidato favorito a tornar-se o próximo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no caso das notas dos “bois de Alagoas”, derivado das suspeitas de ter despesas particulares pagas por um lobista de empreiteira após o parlamentar ter um filho com a jornalista Mônica Veloso. A denúncia no inquérito 2593 foi apresentada na sexta-feira (25) ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski. A papelada já soma mais de 5.600 folhas.
Em 2007, Renan foi acusado por Mônica Veloso, sua ex-amante, de usar dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar suas despesas com a pensão do filho e do aluguel da jornalista. Para comprovar que tinha condições de arcar com os gastos sozinho, o senador apresentou notas fiscais de vendas de bois. Mas a Polícia Federal apontou que aqueles documentos não garantiam recursos para quitar a pensão. Também afirmou que os papéis não comprovavam a venda de gado. Havia a suspeita que as notas eram frias. O caso levou o senador a deixar a presidência do Senado, cargo que agora volta a postular
A assessoria de Gurgel não conseguiu localizar o procurador neste sábado (26) para informar aoCongresso em Foco qual a acusação específica que ele fez contra o senador. O caso corre sob segredo de Justiça. O inquérito foi aberto na Procuradoria Geral da República a pedido do próprio Renan, que queria ser investigado na expectativa de de comprovar não ter cometido nenhuma irregularidade.
Com a denúncia em mãos, Ricardo Lewandowski deverá fazer um relatório e um voto para levar o caso ao plenário. Quando isso acontecer, os 11 ministros do Supremo decidirão se recebem a denúncia ou se rejeitam o pedido de Gurgel. Caso aceitem a denúncia, Renan se tornará réu em uma ação criminal.
Tráfico de influência
Essa não é a única acusação contra o favorito para suceder José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado. Renan é alvo do inquérito 2998 por tráfico de influência e improbidade administrativa, que corre em segredo de Justiça no STF.
Estrada que liga fazenda de Renan a rodovia foi pavimentada em uma reserva ambiental
Também responde ao inquérito 3589 por crime ambiental. O Ministério Público afirma o senador pavimentou ilegalmente, com paralelepípedos, uma estrada de 700 metros na estação ecológica Murici, administrada pelo Instituto Chico Mendes, em Flexeiras, a 66 km de Maceió (AL). O instituto, porém, não foi consultado e não concedeu qualquer licença ou autorização para a obra. A unidade, de 6 mil hectares, conserva áreas de Mata Atlântica. A estrada liga a fazenda Agropecuária Alagoas Ltda, de propriedade do grupo de Renan, à principal rodovia que corta o estado, a BR-101.
Crise e quase cassação
O caso das despesas de Mônica Veloso causou uma crise no Senado em 2007. A empreiteira Mendes Júnior – supostamente e fonte de recursos de Renan para pagar a pensão da jornalistas – executou uma obra no Nordeste que recebeu uma emenda do senador na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
As denúncias multiplicaram-se no Conselho de Ética, chegando até mesmo a uso de laranjas para esconder a propriedade de veículos de comunicação em Alagoas, o que é proibido aos parlamentares segundo a Constituição. Das seis denúncias no Conselho, duas foram ao plenário. Mas Renan escapou duas vezes da cassação do mandato. Entretanto, teve que renunciar ao cargo de presidente para garantir a sobrevida política. Por enquanto, seus adversários são Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT).
Renan “mergulhou” no ano seguinte, ou seja, adotou uma postura mais discreta e atuando mais em negociações reservadas. Mas já em 2009 tornou-se líder do PMDB, cargo importante para quem desejava voltar a ter atuação de destaque. Desde o ano passado, Renan costura sua volta à presidência da Casa, o que parece estar cada vez mais perto.
A reportagem não conseguiu localizar Renan e sua assessoria neste sábado.
Tudo sobre eleição da Mesa e processos
Congresso em Foco

Câmara Municipal de Fortaleza vai custar R$ 127 milhões em 2013


Decreto do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, cumprindo o que determina a Constituição brasileira, fixa o total do duodécimo a ser liberado, mensalmente, para o custeio do Legislativo municipal, incluindo o pagamento dos vereadores.
Depois de demonstrada as receitas do Município, o decreto do prefeito estabelece em R$ 127.708.029,47, o repasse anual para ser administrado pelos próprios vereadores, o que significa uma liberação mensal, a título de duodécimo de R$ 10.642.335,79.
DECRETO Nº 13069, DE 11 DE JANEIRO DE 2013.
Dispõe sobre o repasse de recursos para a Câmara Municipal de Fortaleza no exercício de 2013.
O PREFEITO MUNICIPAL DE FORTALEZA, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 83, inciso VI, da Lei Orgânica do Município. CONSIDERANDO a necessidade de fixar o repasse da Câmara Municipal de Fortaleza, nos termos do estabelecido pelo art. 29-A, da Constituição Federal.
DECRETA: Art. 1º – Fica fixado o repasse anual e seu correspondente duodécimo para a Câmara Municipal de Fortaleza, nos valores respectivos de R$ 127.708.029,47 (cento e vinte e sete milhões, setecentos e oito mil, vinte e nove reais e quarenta e sete centavos) e R$ 10.642.335,79 (dez milhões, seiscentos e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e cinco reais e setenta e nove centavos), com base nas receitas efetivamente arrecadadas no exercício de 2012, conforme a seguir especificado:
DESCRIÇÃO DA RECEITA BASE VALOR (R$)
RECEITA TRIBUTÁRIA 953.759.169,70
CONTRIBUIÇÃO DO SERVIDOR PARA O RPPS 119.907.382,94
CONTRIBUIÇÃO PARA ILUMINAÇÃO PÚBLICA 118.403.421,52
COTA – FPM 711.284.640,62
COTA – ITR 316.810,31
TRANSFERÊNCIA LC 87/96 – ICMS DESON 3.145.639,32
COTA ICMS 713.787.269,60
COTA IPVA 141.475.446,03
COTA IPI – EXPORTAÇÃO 2.719.958,83
CIDE 1.930.632,81
MULTAS E JUROS SOBRE TRIBUTOS 2.247.596,48
DÍVIDA ATIVA TRIBUTÁRIA 68.978.242,21
TOTAL 2.837.956.210,37
REPASSE ANUAL (4,5%) 127.708.029,47
VALOR DUODÉCIMO EM 2013 10.642.335,79
Art. 2º – A Secretaria de Finanças fica autorizada a descontar, nas parcelas referentes ao duodécimo da Câmara Municipal de Fortaleza, as retenções realizadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil no Fundo de Participação dos Municípios, a titulo de contribuições previdenciárias, bem como demais compromissos devidos e não assumidos pela Câmara Municipal, tanto pertinentes ao exercício corrente quanto a exercícios anteriores.
 Art. 3º – Revogadas as disposições em contrário, este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, com seus efeitos retroagindo à 1º de janeiro de 2013. PAÇO DA PREFEITURA MUNICIPAL, 11 de janeiro de 2013.
 Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra – PREFEITO DO MUNICÍPIO DE FORTALEZA.
Diário do Nordeste


Imposição de comportamento a petistas foi o que desconstruiu o PT


José Dirceu, em recente artigo, acusa a imprensa e as oposições de pretenderem desconstruir o PT. Com todo o respeito às agruras do ex-ministro e deixando que PSDB e penduricalhos respondam por eles, vale registrar a injustiça praticada contra a mídia. Não somos nós que erodimos o PT: é o  partido que se desconstrói.
                                                        Quando fundado, vinte e três anos atrás, o PT entusiasmou meio mundo. Seria uma legenda diferente,  despojada dos vícios que caracterizavam o quadro partidário, empenhada na construção de um país novo.
                                                        Não apenas os trabalhadores e os jovens aderiram.  Houve grande adesão à proposta nos planos filosófico e ideológico. A chamada intelectualidade aplaudiu a promessa de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais igualitária. Relevou-se, até, certo desconforto diante do sectarismo de alguns dos fundadores.
                                                        O diabo é que o  radicalismo  foi crescendo até a imposição de um comportamento automático a todos os companheiros. Diretrizes viraram ucasses.   Começaram as expulsões e as defecções. Estas,  até, em maior número. O que era para ser um fórum de debates virou um batalhão em ordem unida. Qualquer passo errado significava desligamento. A Igreja pediu para sair, cientistas, escritores e profissionais liberais escafederam-se, em grande parte. Parlamentares, também. Em nome da pureza dogmática sufocaram as divergências e as discussões. 
                                                        Adiantou muito pouco o PT fatiar-se em grupos variados. Todos são obrigados a reger a mesma partitura, deixando a impressão de que se dividiram apenas para cuidar do espólio, depois de  alcançarem  o poder.
                                                        Assim, dr. Dirceu, não somos nós, da imprensa, a desconstruir o PT. É o próprio partido, cultor do Manifesto Antropofágico.

Por Carlos Chagas

"Eunício sabe que a palavra final é do Cid", diz Ciro Gomes



Questionado sobre a candidatura da base aliada para a sucessão de 2014 no Ceará, o ex-deputado Ciro Gomes (PSB) afirmou que quem dará a palavra final sobre o assunto será o governador Cid Gomes (PSB). Segundo o ex-parlamentar, o senador Eunício Oliveira - que tenta se viabilizar como candidato pelo PMDB - já estaria ciente da prerrogativa do governador.

“Eles (o PMDB) sabem que a palavra final é do Cid. Mas eles também sabem que nós somos muito gratos a eles. Eu, especialmente, sou muito grato ao Eunício, que tem sido de uma correção conosco a toda prova”, afirma.

Apesar de deixar a decisão para o irmão governador, Ciro Gomes afirma que “advoga pessoalmente” por uma candidatura própria do PSB ao governo do Estado. “Ainda é muito cedo para discutir os detalhes disso, mas repito: a última palavra certamente será do Cid”, diz.

Sobre o primeiro mês de gestão de Roberto Cláudio (PSB), Ciro afirma estar “apenas batendo palmas”, sem ter o interesse em ocupar cargos remunerados ou quaisquer posições na Prefeitura de Fortaleza.

“O que não quer dizer que eu não esteja cem por cento a disposição pra ajudar em qualquer coisa que eu puder ajudar, sem remuneração”, disse.

O POVO

Ateus e ativistas gays reagem contra concessão de passaportes diplomáticos a pastores evangélicos


A concessão de passaportes diplomáticos a líderes evangélicos tem causado reações negativas por parte de alguns setores da sociedade, principalmente entre grupos ateus e ativistas dos direitos dos homossexuais.

Ao longo da semana foram anunciadas as concessões dos passaportes especiais para pastores como Valdemiro Santiago, R.R. Soares e Samuel Ferreira, o que motivou a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) a criar uma petição pública pedindo ao Itamaraty que cancele os documentos.

- Exigimos que o Itamaraty cancele o passaporte diplomático do pastor Valdemiro Santiago de Oliveira, já que o mesmo não possui nenhum cargo diplomático ou missão oficial de acordo com o decreto 5.978/2006 – diz um trecho da carta da ATEA, para explicar que o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus não tem cargo diplomático, de forma que não teria direito receber este passaporte.

O Ministro de Estado das Relações Exteriores concedeu o documento aos líderes religiosos sob o argumento de que tal passaporte também pode ser dado “às pessoas que, embora não relacionadas nos incisos deste artigo, devam portá-lo em função do interesse do País”. Seguindo esse mesmo argumento, um grupo de ativistas gays solicitou nessa quinta feira passaportes diplomáticos a 14 de seus membros, como resposta à concessão aos pastores.

- (A concessão de passaportes diplomáticos) não pode ser privilégio ou de uma religião, ou de um grupo. Senão é discriminação – afirmou Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

- Vimos solicitar que sejam concedidos da mesma forma passaportes diplomáticos para os/as integrantes da ABGLT relacionados a seguir, para que possam realizar um trabalho de promoção e defesa dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) nos 75 países onde ser LGBT é crime e nos 7 países onde existe pena da morte para as pessoas LGBT – escreveu Reis no ofício encaminhado ao Itamaraty, segundo informações do Estadão.

De acordo com o jornal Estado de Minas, a presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, Perpétua Almeida (PCdoB-AC), também irá pedir explicações ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) sobre os passaportes diplomáticos concedidos a líderes religiosos evangélicos.

- Só usei as prerrogativas do meu passaporte diplomático uma vez, para ‘furar fila’ em um aeroporto, pois estava atrasada para embarcar em um voo para a China, em missão oficial. Não vejo a necessidade da concessão aos líderes religiosos. Cobrarei do Itamaraty as justificativas, que devem estar dentro da legalidade – afirma a deputada.

Por Dan Martins, para o Gospel+

Com Olhos no Futuro, por Cristovam Buarque


O Senado do Chile tem uma comissão permanente para pensar os Desafios do Futuro. Nela reúnem-se senadores e público para imaginar as alternativas adiante e orientar o país na sintonia com os rumos do mundo.
 Nos dias 17, 18 e 19 deste mês, essa comissão organizou o II Congresso do Futuro, com 52 pensadores e políticos, além de um público de cerca de 300 pessoas, para discutirem os cenários em áreas tão distintas quanto à nanobiotecnologia, que vai revolucionar especialmente o próprio conceito de medicina; a política, como será feita a participação política no futuro; a saúde dos oceanos e dos rios; o mundo pós-energia fóssil; as novas fronteiras da vida, inclusive com a inteligência artificial e o potencial genético; as novas fronteiras do universo, inclusive o potencial de viagens espaciais e a exploração espacial; os desafios da alimentação, tanto para eliminar a fome, como para evitar a obesidade e o envenenamento por comidas prejudiciais à saúde; e a evolução da moral e da conduta humana.
 O evento permitiu aos senadores situarem suas atividades e responsabilidades em defesa do Chile, levando em conta o que vai mudar no mundo nos próximos anos. Para um brasileiro, ficou o sentimento de frustração porque ficaremos de fora da produção para mercados de trilhões de dólares nas áreas da biotecnologia; da exploração espacial, do domínio das novas fontes de energia; da criação no ramo da inteligência artificial; e até perder o que já temos como exportadores de alimentos e minerais, diante das novas formas de alimentação e da engenharia metalúrgica.
 Depois de três dias de debates, os senadores chilenos presentes, ou os que tomarão conhecimento dos debates pela televisão, ficarão com a sensação do esforço que devem fazer para que o país deles tente se sintonizar com a realidade mutante do mundo em direção ao futuro. Inclusive como fazer política, em um tempo no qual a comunicação entre eleitor e eleito já não é mais feita a cada quatro anos via comícios, mas instantaneamente, por meio das modernas ferramentas; e em um momento da história no qual o presente já é parte do futuro e o político deveria levar em conta não apenas o local e a próxima geração, mas também o longo prazo e o mundo inteiro.
 Mas se os senadores chilenos ficam angustiados, imagine o senador brasileiro que, depois de sua palestra sobre o futuro, volta para participar de uma eleição, a fim de eleger uma nova direção do Senado, sem saber o que ela propõe para o futuro da própria Casa. Um Senado sem consciência de sua plena responsabilidade para com o futuro, como se a política permitisse apenas acordos capazes de manter o funcionamento do país, no presente.
 Enquanto todo mundo está mudando ao redor, o Senado parte para uma eleição destinada a manter o costume do velho ritmo de pensar somente nas artimanhas, que o passado nos viciou.
 *Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF.