segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sponholz


Há 43 anos Pelé marcava milésimo gol contra o Vasco no Maracanã


Há exatos 43 anos, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, marcava de pênalti contra o Vasco da Gama, no estádio do Maracanã, o seu milésimo gol. A marca histórica de Pelé - anos depois repetida por Romário, do Vasco -de 1969, foi conseguida às 23h11 diante de 65.157 pagantes. A partida era válida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o campeonato brasileiro da época. 
Aos 33 minutos do segundo tempo o zagueiro do Vasco Renê cometeu pênalti. Pelé cobrou com pé direito no canto esquerdo do goleiro argentino Andrada. 
Cercado pelos repórteres, Pelé disse: "Pensem no Natal. Pensem nas criancinhas".

Veja o gol:

"O diabetes vai levar a saúde pública à falência", diz endocrinologista


Diretor do Joslin Diabetes Center, um dos principais centros de referência do mundo em diabetes, e professor da Universidade Harvard, Enrique Caballero quer uma mudança radical: deslocar recursos do tratamento para a prevenção. "A quantia gasta com hospitais, cirurgias e diálises é imensa."



O diabetes mata mais do que o câncer e o HIV juntos. Silenciosa, a doença pode apresentar os primeiros sintomas apenas 15 anos depois de seu início. Nesse estágio, a condição já apresenta complicações que variam da disfunção sexual à amputação de uma perna. Dados do Ministério da Saúde apontam que em apenas 12 anos o número de mortes em função da doença aumentou 38% — passando de 24,1 mortes por 100.000 habitantes, em 2006, para 28,7 mortes por 100.000 em 2010. A epidemia de diabetes cresce de mãos dadas com o avanço da obesidade.
De passagem pelo Brasil para participar do 30º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, que aconteceu em Goiânia entre 7 e 10 de novembro, o endocrinologista mexicano Enrique Caballero acredita que para barrar o avanço da doença é preciso que se invista em políticas de prenveção. Diretor da Iniciativa Latina para o Diabetes do Joslin Diabetes Center — um dos principais centros mundiais de referência no estudo da doença — e professor da Universidade de Harvard, Caballero afirma que o avanço da doença pode levar os sistemas públicos de saúde à falência. "Se gastam milhares e milhares de dólares com as complicações do diabetes. Claro que o paciente precisa de tratamento, mas isso não resolve. Para barrar o crescimento da doença, deve-se investir em prevenção.”
Em entrevista exclusiva ao site de VEJA, Caballero fala sobre a importância do diagnóstico precoce e faz o alerta: "Não vá ao médico apenas quando já estiver se sentindo mal. Mesmo que esteja bem, vá e peça para fazer o exame que mede os níveis de glicose no sangue. É algo simples e que pode ajudar na prevenção da doença." Caballero fala ainda sobre a necessidade de um maior envolvimento social e político nas estratégias de prevenção da doença, na importância da farmacoeconomia e sobre as perspectivas de cura do diabetes. 
O diabetes tem sido subestimado? Diabetes mata mais que câncer e HIV juntos. Quando se ouve a palavra câncer ou a palavra aids, se tem medo. Ao ouvir diabetes, normalmente se pensa apenas em evitar alguns doces. O diabetes vai matar mais, e as pessoas não sabem disso. Acredito que a doença não tem sido encarada como uma condição séria, que pode levar a muitas complicações. O diabetes é a causa número um de cegueira e de falência crônica dos rins. Ele é ainda uma das principais causas para doenças cardiovasculares e para amputações não traumáticas. Até mesmo problemas de ereção podem ser uma consequência da doença. O diabetes pode ser uma doença devastadora. É importante que as pessoas não esperem se sentir mal para ir ao médico. Vá, mesmo que esteja tudo aparentemente bem com a sua saúde, e peça um exame de sangue para medir a glicose. Quanto mais cedo a doença for identificada, mais chances de controle e de evitar complicações.
Como o senhor vê a situação do diabetes no Brasil? O Brasil está enfrentando um enorme desafio com o diabetes tipo 2. De acordo com os dados mais recentes da Federação Internacional para o Diabetes, o país é o quinto em número total de pessoas com diabetes tipo 2. Até 2030, acredita-se que o Brasil vá subir um degrau nessa lista. Mas acredito que o número de diabéticos calculado está errado. Ele deve se referir apenas às pessoas diagnosticadas, e existe muita gente que tem a doença e não sabe. E não sabe porque o diabetes é uma doença silenciosa. Pode levar até 15 anos para que os primeiros sintomas comecem a aparecer.
Por que o número de diabéticos não para de crescer? Em primeiro lugar, acredito que há uma predisposição genética para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 no Brasil. Isso acontece na população latina em geral. O Brasil combina diferentes fatores, do ponto de vista racial: há combinações de genes indígenas e negros, por exemplo. O que sabemos é que existe a resistência à insulina, e essa resistência é determinada geneticamente. Na população brasileira, as células beta [produtoras de insulina no pâncreas] tendem a ficar mais cansadas de maneira mais fácil, comparando a outras populações não latinas. Essa combinação de resistência à insulina com uma a disfunção das células beta está mantendo o diabetes tipo 2 em ascensão.
É possível reverter o crescente aumento no número de casos da doença? Acredito que sim, mas é preciso enfatizar a prevenção. Um dos problemas é que queremos trabalhar com adultos, mas é muito difícil convencer um adulto a mudar um estilo de vida que perdura por décadas. Precisamos começar mais cedo, com as crianças. Com certeza, essa não é uma solução simples e rápida. Os governos devem implementar estratégias para deixar as comunidades mais saudáveis, o que significa ajudar, de fato, as pessoas a serem mais saudáveis, a se exercitarem mais. Por isso, acho que o controle do diabetes é um problema social e político, não só uma questão de saúde.
Os tratamentos mais baratos, inclusive os distribuídos no Brasil pelo Sistema Único de Saúde, são também aqueles que mais apresentam efeitos adversos. Vale a pena usá-los? Existe uma nova maneira de olhar para isso chamada farmacoeconomia. Se você opta por oferecer o tratamento mais caro, e ele está realmente ajudando o paciente e provocando poucos efeitos colaterais, então seu custo será mais baixo a longo prazo. Isso acontece porque se previnem problemas futuros e dispendiosos, como necessidade de ida ao hospital e internações. Esse raciocínio vem sendo levado em consideração para decidir se basta olhar apenas para o custo da medicação ou para uma intervenção com prazo mais extenso. Mas isso é algo relativamente novo.

No Brasil há uma boa política para o diabetes? 
Há alguns esforços, mas eles não são suficientes. Em todo país se gastam milhões e milhões de dólares em complicações do diabetes. São gastos em hospitais, com cirurgias e diálises, por exemplo. Essa quantia gasta com as complicações é imensa, e vai levar os sistemas públicos de saúde de todo o mundo à falência. O problema é que não se investe em prevenção. Não há recursos para educar famílias e investir em programas de intervenção na comunidade. O benefício, claro, não será visto imediatamente, mas é o certo a se fazer: deslocar parte do dinheiro gasto nas complicações tardias da doença para a prevenção. É algo radical, mas é o que precisa ser feito. 
 
Estamos perto da cura? Um dos principais objetivos do Joslin Diabetes Center é encontrar a cura. Mas ainda não estamos lá. Tanto para o diabetes tipo 1 como para o 2, o principal problema é que as células do pâncreas se cansam, elas não trabalham muito bem. A cura para o diabetes seria encontrar uma maneira que faça com que as células do pâncreas não se cansem, ou que se seja capaz de produzir novas células. O que se pode fazer são transplantes de ilhotas [conjunto de células unidas em formato de uma esfera] para o pâncreas. Uma outra abordagem que vem sendo estudada é o uso de células-tronco, que são induzidas a se transformarem em novas células produtoras de insulina no pâncreas.
 
Algumas dessas técnicas já têm resultados animadores? Podemos curar o diabetes em animais com o transplante de ilhotas, porque o sistema imunológico deles não é tão sofisticado quanto o do homem. Assim, eles não destroem as novas células transplantadas. Em humanos, no entanto, essa técnica causa uma cura apenas temporária, de uns 18 meses, mas depois disso as novas células são eliminadas pelo sistema de defesa. Atualmente, os estudos caminham para a inserção dessas células em microcápsulas, que evitariam a rejeição pelo corpo. Ainda não obtivemos sucesso nisso. Em relação às células-tronco, a gente já consegue fazer com que elas se transformem nas células beta do pâncreas, que são as produtoras de insulina. Elas já têm uma estrutura perfeita, mas ainda não conseguimos fazer com que produzam insulina em resposta à chegada de glicose.

VEJA

No Dia da Bandeira, historiadores defendem maior discussão dos símbolos nacionais



Hasteada nos mais distintos locais, a Bandeira Nacional, um dos principais símbolos do Brasil, reúne uma série de detalhes obrigatórios que devem ser obedecidos, de acordo a com a legislação. O tamanho, a precisão nas cores, a disposição das estrelas e da faixa central devem ser seguidos à risca, assim como a forma como ela é homenageada e guardada. O 19 de novembro foi instituído Dia da Bandeira em 1889, logo depois da Proclamação da República.
No ensino fundamental, são obrigatórias as aulas sobre os símbolos nacionais, mas os historiadores defendem a ampliação da discussão sobre o tema. Eles sugerem que assuntos relativo aos símbolos – a Bandeira Nacional, o Hino Nacional, as Armas Nacionais e o Selo Nacional –, como as razões que os motivaram, sejam aprofundados.

O coordenador do Departamento de História do Centro Universitário de Brasília (Uniceub), professor Deudedith Rocha Júnior, disse à Agência Brasil que é essencial ensinar aos estudantes não apenas os aspectos visuais, técnicos e simbólicos, mas, sobretudo, o que representam os símbolos e porque são importantes.
“Os símbolos nacionais representam um marco da identidade brasileira. Cada um tem seu significado e importância. A Bandeira Nacional, por exemplo, passou por várias etapas para chegar à atual. O sentido de nação está diretamente ligado aos símbolos, mas também é importante observar que as mudanças na sociedade fazem com que eles sejam redesenhados”, explicou o historiador.
Para ele, eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 podem ser usados como incentivos à discussão. “O ritual de hastear a Bandeira Nacional, de cantar os hinos [Nacional e da Bandeira Nacional] é importante, mas é interessante também que cada um que participa da situação conheça e reconheça nos símbolos algo que diga respeito a si”, acrescentou o professor.
Em Brasília, a principal cerimônia envolvendo o assunto é a da troca da Bandeira Nacional, que ocorre a cada primeiro domingo do mês. No próximo dia 2, às 9h, a Marinha será responsável pela solenidade, pois há um sistema de rodízio entre as Forças Armadas e o governo do Distrito Federal na coordenação do evento.
No dia da cerimônia, a Bandeira Nacional é hasteada no mastro da Praça dos Três Poderes. Com 280 metros quadrados, a bandeira é a maior do país.
AG.Brasil

Educação e emprego, por Aécio Neves


Realizada em São Paulo na semana passada, a Olimpíada do Conhecimento do Senai reafirmou a sua condição de maior e mais importante evento da educação profissionalizante do Brasil.
Durante cinco dias, 700 alunos disputaram provas em 54 ocupações profissionais. Simultaneamente, competiram no torneio WorldSkills Americas, com a participação de 24 países das Américas e do Caribe. Ano que vem, os nossos campeões participarão da etapa global dessa "Copa do Mundo" da educação profissional, em Leipzig, na Alemanha.
Há razões para nos orgulharmos de nossos estudantes. Em 2011, em Londres, durante a mesma competição internacional, eles conquistaram seis medalhas de ouro, três de prata, duas de bronze e sete certificados de excelência. Classificaram-se em segundo lugar, superando concorrentes de países desenvolvidos como Japão, Suíça e Cingapura.
Por trás desse bom desempenho está a presença da indústria nacional, responsável, em última instância, pela qualidade do ensino oferecido pelo Senai. É, porém, um esforço isolado -praticamente uma ilha de excelência, que não encontra a necessária sinergia com a política educacional brasileira nem apoio para disseminar-se e, assim, alcançar todos aqueles que poderiam conquistar oportunidades de melhores empregos e salários por meio de um diploma técnico.
Os equívocos começam já na definição da matriz educacional que privilegia e incentiva o bacharelado. Apenas 6,6% dos jovens brasileiros entre 15 e 19 anos optam pelo ensino profissionalizante. Na média dos 34 países da OCDE, são 42%, com picos de 55% no Japão, 53% na Alemanha e 40% na França e na Coreia do Sul.
O mais preocupante é que o sonho da universidade se frustra para a grande maioria -apenas 14% dos nossos jovens chegam aos cursos superiores, contra a média de 40% nos países da OCDE. Feitas as contas, constata-se que 86% deles, cerca de 20 milhões, ficam fora das universidades e não conquistaram uma formação profissional. São condenados a empregos de segunda classe, a subempregos.
Diante do risco iminente de um "apagão" de mão de obra no país, fatal para a competitividade das empresas, o Brasil se defronta com o desafio de capacitar, até 2015, 7,2 milhões de trabalhadores com cursos técnicos e de média qualificação para atuar em 177 ocupações, segundo alerta do Mapa do Emprego Industrial, produzido pelo próprio Senai.
O governo parece não ter tempo nem interesse em priorizar essa questão. Ignora que as nações que superaram a pobreza e se tornaram economicamente fortes, socialmente mais justas e soberanas são exatamente as que investiram com seriedade e consequência na educação de sua juventude.

domingo, 18 de novembro de 2012

Palhaços Patati e Patatá também são vítimas de um golpe

Duas moças, fantasiadas de "Patati & Patatá", promoveram um show na cidade de São Lourenço, em Minas. O detalhe é que as duas estavam descalças e, para evitar perguntas, logo avisaram: "Só trabalhamos com os sapatos na televisão". Obviamente, elas não estavam autorizadas a se apresentar. Em casos como este, cabe ao escritório Rinaldi Produções, dono da marca, receber a denúncia e acionar a polícia local. Nada tem a ver com o SBT.

Flávio Ricco

Juiz critica ânsia lucrativa da TIM e mantém suspensão de promoção


A Justiça Federal do Distrito Federal manteve a decisão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) de suspender uma nova promoção da TIM. A operadora havia entrado com um mandato de segurança para tentar reverter a decisão, alegando que a determinação da Anatel feria a livre concorrência.

Em sua decisão, o juiz da 17º vara civil, Flávio Marcelo Sérgio Borges, criticou a "ânsia lucrativa" da TIM e considerou que a agência tinha a prerrogativa de suspender a ação com objetivo de assegurar a qualidade do serviço.
"Há metas de qualidade a serem atingidas, objetivo que, por vezes, impõe à Agência atuação mais intensa", afirma o juiz na decisão publicada no sábado.
O magistrado refuta o argumento da empresa de que a Anatel não quis receber representantes da empresa na semana passada. A justificativa da Anatel é de que só foi avisada da promoção no dia 9, mesmo dia em que a ação já estava sendo noticiada em meios de comunicação pela TIM.
"A ânsia empresarial e lucrativa devem ceder certo espaço ao comedimento (...). Não executada a reunião às vésperas de um feriado, como proposto, que se esperasse a semana seguinte, porque urgente não é o lucro, mas a qualidade do serviço", escreveu Borges.
O juiz lembra ainda que a operadora está passando por um período especial de avaliação do seu serviço depois que teve parte de suas vendas temporariamente interrompidas em julho, por decisão da Anatel, devido às frequentes quedas de sinal. Borges destaca também em sua decisão o número recorde de reclamações de consumidores.
"Não é a Anatel que abala a imagem da TIM. Isso é retórica. A imagem se abala por atuação própria, e não de outrem. Os consumidores sabem avaliar".
A TIM divulgou nota informando que vai cumprir a decisão judicial. A empresa informou, no entanto, que vai solicitar à Anatel o adiamento da suspensão sob o argumento de que há empecilhos técnicos à mudança de tarifação das ligações nesta segunda-feira.
A promoção está suspensa desde sexta-feira, mas a operadora estava obrigada a praticar os valores promocionais até este domingo, para não lesar os consumidores.
A ação promocional, chamada de "Infinity Day", oferecia ligações locais ilimitadas entre celulares TIM por apenas R$ 0,50 por dia. Além disso, por apenas mais R$ 0,50 também seria possível fazer ilimitadamente interurbanos com outros clientes da companhia.
Segundo a TIM, a promoção abrangia os Estados de Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, interior de São Paulo e Manaus (AM).

Folha

O retorno de Renan Calheiros para a presidência do Senado


"Presidir esta Casa é consequência das circunstâncias políticas”. Era 4 de dezembro de 2007, quando o alagoano Renan Calheiros, um dos principais líderes do PMDB, cedeu e, para usar suas próprias palavras, decidiu “arredar o pé” e renunciar à presidência do Senado Federal. A decisão, lida às 16h no plenário, marcou o desfecho de uma crise que se arrastou por 194 dias e evitou que ele, enxovalhado por denúncias, mais do que a cadeira de presidente, perdesse também o mandato.
Aos 57 anos, 18 deles no Senado, Renan Calheiros se considera um sobrevivente. Aprendeu desde cedo que, nos corredores do Legislativo estadual ou nos carpetes de Brasília, deveria manter sempre o pé em duas canoas. Apontado como um dos mais hábeis políticos em atividade, tem como lema negociar antes de enfrentar, mas também é conhecido pela personalidade vingativa e pelo apetite voraz pelo poder. Depois de passar cinco anos atuando nos bastidores, remendando alianças estremecidas e contemplando aliados, Renan se prepara para sair das sombras e voltar à presidência do Senado em fevereiro - com o aval do Palácio do Planalto.
Diplomático, o peemedebista não bate de frente com candidatos alternativos à sucessão de José Sarney. Para aliados, é propositadamente “dissimulado”. Em campanha velada, distribui afagos – e, como de praxe, promete cargos – para aplacar potenciais opositores. No Senado, amansou peemedebistas: Roberto Requião ficou com a presidência do braço brasileiro do Parlamento do Mercosul; Eduardo Braga virou líder do governo; Romero Jucá foi nomeado relator do Orçamento para 2013; e Vital do Rêgo ganhou notoriedade como presidente da CPI do Cachoeira.
"Ele nasceu para fazer política, tem o dom da articulação. Participa, influencia, decide, ajuda. Renan é um articulador nato, ele sabe fazer", diz o líder do PTB no Senado, Gim Argello.
Atualmente, voltou a cair nas graças do Palácio do Planalto por ter atuado diretamente no controle do ritmo – e da abrangência (restritíssima) - das investigações da comissão de inquérito que apuraria as relações do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com empresas e políticos. Também é relator da prioritária medida provisória que propõe mudanças no setor elétrico, considerada a menina dos olhos da presidente Dilma Rousseff. Reservadamente, diz não acreditar que a relatoria da MP possa sacramentá-lo na presidência do Senado. Mas sabe que qualquer deslize na condução do texto sobre os novos contratos do setor elétrico invariavelmente provocará uma ofensiva direta do Palácio do Planalto contra suas aspirações.
Renan atribui as lições políticas a José Sarney e ao apoio pessoal que recebeu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no auge da crise de 2007. Hoje, depois de ver o próprio Sarney se safar do escândalo dos atos secretos no Congresso, em 2009, o alagoano afirma nos bastidores que não precisava necessariamente ter renunciado à presidência do Senado. E insiste no discurso de que foi a imprensa quem tentou lhe tomar o mandato.
Entre altos e baixos, aliados e desafetos são unânimes em afirmar que o instinto de sobrevivência de Renan é a sua principal característica. E lembram que, em momentos de tensão na base governista, era Renan quem insuflava as rebeliões e, em seguida, assumia o papel de interlocutor com o Palácio do Planalto para dissipar a crise. Em troca, nunca saiu de mãos vazias.
Em embates pessoais, atribuiu ao usineiro João Lyra parte do escândalo envolvendo a jornalista Mônica Veloso, em 2007. Conforme revelou VEJA, o senador tinha despesas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior. Entre os préstimos do empresário estavam a pensão e o aluguel da jornalista, com quem o senador teve uma filha fora do casamento.
Dos cinco processos aos quais respondeu no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar no auge da crise – as denúncias envolviam lobby em favor da Schincariol, cobrança de propina em ministérios controlados pelo PMDB e espionagem de adversários políticos – o que considera ter enfrentado com maior desgaste foi a revelação de sua relação extraconjugal. Acreditava que estava passando por “duas guerras”, uma política, na qual os senadores Arthur Virgílio (PSDB), Demóstenes Torres (DEM) e Pedro Simon (PMDB) pediam sua cabeça em plenário, e outra mais acirrada: em casa. Sua esposa Verônica e os três filhos, incluindo o deputado Renan Filho (PMDB), lhe viraram as costas.
"Tenho muito respeito pelo Renan. Ele tem qualidades. Ajudou a transformar o Collor em presidente da República, e isso apesar de o Collor ter brigado com Renan antes. Mas, taticamente, para ele não é interessante entrar nessa jogada de sucessão no Senado. Em 2007 ele renunciou à presidência antes da votação da cassação dele e agora volta? Não fica bem", diz o rival de outrora Pedro Simon.
As relações dúbias de Renan com aliados e desafetos já envolveram, por exemplo, uma sociedade oculta com João Lyra, que viria a romper com o senador depois, para a compra de veículos de comunicação. Nas eleições municipais de outubro deste ano, no entanto, Renan Calheiros não viu problema em se aliar ao próprio Lyra para apoiar a candidatura do pedetista Ronaldo Lessa à prefeitura de Maceió. Os tentáculos do provável futuro presidente do Senado vão desde sua assinatura na ata de fundação do PSDB, em junho de 1988, até as alianças oscilantes com o senador Fernando Collor e com o atual governador de Alagoas, Teotônio Vilela.
Na relação direta com o Palácio do Planalto, agora revitalizada depois de o PMDB ter emitido sinais de que não aceitaria o nome do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, como candidato à sucessão de Sarney, Renan capitaneou rebeliões para barrar em março no Congresso a recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A grita do PMDB é histórica: sempre está insatisfeito com o ritmo de liberação de emendas parlamentares, com a morosidade na nomeação de apadrinhados, com a falta de autonomia dos ministros não petistas.
Sem Lobão e agora com caminho livre para ser ungido presidente do Senado, Renan Calheiros revelou a interlocutores ter a convicção de que pode sair vitorioso facilmente. Acredita que já não tem de enfrentar as três principais pedras nos seus sapatos dos idos de 2007: a força de oratória do senador Pedro Simon e as línguas afiadas do ex-senador tucano Arthur Virgílio, ex-amigo pessoal, e do senador Demóstenes Torres, cassado após revelações de parceria espúria com Carlinhos Cachoeira. Para o político alagoano,o passado não é capaz de impedir seu retorno à presidência do Senado. Presidir o Senado, diz ele, é mesmo  “consequência das circunstâncias políticas”.

VEJA

Onde está o cantor Belchior?

Reportagem exclusiva do Fantástico mostrou que o cantor Belchior desapareceu do hotel, onde se hospedava com a mulher Edna em Artigas no Uruguai, deixando pertences pessoais, roupas, computador e uma dívida com o pagamento da hospedagem.

Em São Paulo ele já tinha abandonado seu carro no estacionamento de um aeroporto.

O dono da casa que ele ficava na capital paulista para pintar quadros também reclama o não pagamento de aluguéis.

O repórter Celso Duarte entrevistou também o produtor musical de Belchior, e disse, que até hoje a o pedido de milhares de fãs pela sua volta aos palcos.

A reportagem do programa não conseguiu localizar o artista nem no Brasil, nem no Uruguai.

Fica a dúvida agora do paradeiro de Belchior.

Olha o condenado José Dirceu como está !


O ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que foi condenado no julgamento do mensalão, está passando o feriadão da Proclamação da República no litoral da Bahia. Neste sábado, ele foi fotografado enquanto passeava pelo jardim de uma casa em um condomínio fechado localizado em uma praia de Camaçari.

Foto: Estadão

Presidente da OAB/Brasil fala sobre julgamento do Mensalão


Com prerrogativas e atribuições de zelar pelo respeito aos advogados e ao direito dos réus, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, diz que nenhuma regra foi violada no mensalão.
“No julgamento houve o exercício da ampla defesa”, afirma o advogado, que esteve presente em quase todas as sessões. Segundo ele, o julgamento não foi marcado pela política partidária.
Para ele, o nervosismo e as reclamações de seus colegas são reações geradas pelo perfil dos réus, todos eles “de alto coturno e com influência grande no país”.
O presidente da OAB avalia que a cultura da impunidade muda com o julgamento, mas alerta que só a reforma política golpeará a corrupção. Ele diz que o Judiciário “precisava de um momento como esse” e deixou um recado claro nas sentenças : o “Todos são iguais perante a lei”.

- O julgamento foi politizado?
- O julgamento foi técnico, passou por fora da política partidária. As reações estão aparecendo porque o caso envolve réus de alto coturno, que tinham influência no governo e estão perdendo essa influência.
- O Judiciário está mudando?
- O Supremo Tribunal Federal está tomando decisões de referência para a democracia. Mesmo que algumas pessoas discordem, e isso é normal, o que funcionou e valeu foi o livre convencimento dos ministros.
- Por que então a defesa reclama?
- As reclamações são normais. Nenhum advogado vai se conformar com a condenação de seus clientes. Seu papel é defender o cliente. Os advogados exerceram de forma competente o direito a ampla defesa. Nesse julgamento houve ampla defesa, por mais que alguns não concordem com o resultado.
- Qual a causa do nervosismo entre os próprios ministros?
- O julgamento foi nervoso como todos os outros. A diferença é que nesse houve uma pimenta a mais porque envolveu pessoas de influência muito grande no país.
- O que muda com o caso do mensalão?
- Muda a cultura das pessoas. Os que estavam acostumados ao que vinha ocorrendo vão passar a temer a justiça porque haverá consequência de seus atos. Foi um recado do STF de que todos são iguais perante a lei. A Justiça brasileira precisava de um momento como esse.
- Qual a expectativa da OAB com Joaquim Barbosa na presidência do STF?
- Minha esperança é de que o ministro Joaquim Barbosa cumpra sua missão constitucional e dirija o STF com serenidade e firmeza.
- Depois da Lei da Ficha Limpa e do mensalão, o que falta para atacar com mais eficácia a corrupção?
- O resultado do julgamento do mensalão tem de ter sequência e essa sequência é a reforma política. Ela precisa ser feita logo em seguida senão não se ataca a raiz da corrupção que é o financiamento privado e a influência do poder econômico nas eleições e na política. A OAB é favorável ao financiamento público exclusivo.
- Os réus devem ser presos no término do julgamento?- Não há jurisprudência que ampare as prisões antes da sentença transitar em julgado e todos os réus já entregaram seus passaportes.

Em entrevista a 'El País', Dilma diz que 'acata' sentenças do mensalão


A presidente Dilma Rousseff disse em entrevista ao jornal espanhol "El País", publicada neste domingo (18), que "acata" as sentenças do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão, mas ponderou que ninguém está "acima dos erros".
"Sou radicalmente favorável a combater a corrupção, não só por uma questão ética, mas por um critério político. [...] Há muitos procedimentos jurídicos neste terreno e como presidente da República não posso me manifestar sobre as decisões do STF. Acato suas sentenças, não as discuto. O que não significa que ninguém neste mundo de Deus esteja acima dos erros e das paixões humanas", disse a presidente.

Esaa foi a primeira declaração de Dilma sobre o mensalão após a condenação dos petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares pelo STF.
A entrevista foi realizada na última segunda-feira (12), dia em que o Supremo estabeleceu para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu penas que, somadas, chegam a dez anos e dez meses de prisão. Dirceu foi condenado no julgamento do mensalão pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.
A presidente defendeu realizações dos mandatos de Lula e citou a criação do Portal da Transparência e da Lei de Acesso à Informação. "Poucos governos têm feito tanto pelo controle do gasto público como o do presidente Lula", disse.

Folha