terça-feira, 16 de outubro de 2012

Município de Juazeiro do Norte é condenado a pagar indenização à família de vítima fatal de acidente


O Município de Juazeiro do Norte deve pagar indenização moral de R$ 20 mil à família do mototaxista F.V.S., que faleceu em decorrência de colisão com árvore caída em avenida. A decisão, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), teve como relatora a desembargadora Sérgia Maria Mendonça Miranda.

Segundo os autos, F.V.S. estava trabalhando quando a moto bateu em uma árvore atravessada na pista. Ele teve morte imediata por conta dos ferimentos. O acidente aconteceu em janeiro de 2004, na avenida Humberto Bezerra, bairro Timbaúbas, no Município de Juazeiro do Norte, a 535 km de Fortaleza.

Por esse motivo, a viúva ajuizou ação requerendo indenização por danos morais e materiais. Alegou que o marido faleceu devido à queda da árvore, que danificou a rede de iluminação na via pública e agravou a má sinalização do local.

Na contestação, oMunicípio de Juazeiro sustentou culpa exclusiva da vítima, que não utilizava capacete. Disse ainda que o mototaxista excedia a velocidade permitida para o local.

Em dezembro de 2009, o juiz da 5ª Vara da Comarca de Juazeiro, Miguel Feitosa Cardoso, condenou o ente público a pagar R$ 20 mil, a título de danos morais, devidamente corrigidos. Também determinou reparação material no valor correspondente a meio salário mínimo, pelo período de 23 anos.

O magistrado considerou a existência de culpa concorrente. “Município e vítima concorreram para o evento danoso, na medida em que, ao primeiro, cabia agir diligentemente quanto à sinalização do lugar e, ao segundo, guiar com prudência e com o equipamento de segurança, diante daquela circunstância incomum”.

Objetivando modificar a sentença, o ente público interpôs apelação (nº 1366-51.2004.8.0.0112/1) no TJCE. Reiterou os mesmos argumentos defendidos na contestação. Além disso, solicitou a redução da quantia indenizatória.

Ao relatar o caso, na última quarta-feira (10/10), a desembargadora Sérgia Miranda destacou que o Município ficou “inerte durante quase doze horas, sem qualquer providência para desobstruir a avenida ou sinalizá-la”. A relatora, no entanto, votou pela redução da indenização material para atender ao princípio da proporcionalidade.

Com esse entendimento, a 6ª Câmara Cível deu parcial provimento ao recurso e fixou em 1/3 do salário mínimo os danos materiais, mantendo os demais termos da sentença.
 TJCE

MP e TCM montam equipes para evitar desmontes em prefeituras

O Ministério Público do Estado do Ceará e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) formaram comissões para atuar no combate às práticas de desmonte nas prefeituras municipais. O primeiro encontro entre as comissões do MP e do TCM ocorre na manhã desta sexta-feira (19), na Procuradoria Geral de Justiça (rua Assunção, 1.100 – José Bonifácio).

     A operação conjunta do MP e do TCM tem o objetivo de dar mais celeridade aos processos anti-desmonte. A matriz de risco são as prefeituras onde os gestores não se elegeram ou não fizeram seus sucessores.

     A comissão do MP é coordenada pelo procurador de Justiça Maurício Carneiro e conta com a participação dos promotores auxiliares da Procuradoria de Justiça dos Crimes Contra a Administração Pública (Procap). A outra comissão é composta por representantes do TCM. Segundo o procurador de Justiça, as reuniões entre as comissões do MP e do TCM serão semanais e devem ocorrer nas manhãs de sexta-feira, na PGJ.

     Além disso, está sendo elaborada uma Recomendação aos promotores de Justiça para intensificar as fiscalizações de desmonte e encaminhar as denúncias à Procap. Outra estratégia do MP é a criação de um canal direto de denúncias pelo site www.mp.ce.gov.br, onde a população poderá repassar informações sobre a prática de desmontes nos municípios. A previsão é que o canal eletrônico esteja disponível até o fim da semana.  

     A atuação das comissões terá início a partir do recebimento de denúncias dos promotores de Justiça e da população. Através de uma triagem, as comissões determinarão o envio imediato de equipes do TCM para dar suporte ao processo.

     Ao ser confirmada a situação de desmonte, poderá ser aberto uma ação de improbidade administrativa, um pedido de afastamento do gestor ou até um procedimento de natureza criminal.

MPCE

ACM Neto defende legado e chama PT de "partido do mensalão"


O candidato ACM Neto (DEM) afirmou ontem que o PT "vai quebrar a cara" se insistir na estratégia de comparar a gestão petista no governo do Estado com as gestões do Democratas, antigo PFL.  O partido governou a Bahia  entre 1991 e 2006, sob gestão ACM, César Borges e Paulo Souto. "É  brincadeira querer comparar o que nosso grupo fez pela Bahia com o que o PT não está fazendo", afirmou  Neto na tarde de ontem, durante caminhada no bairro do Arraial do Retiro. 
Neto defendeu o legado do avô, destacando a atuação do senador Antonio Carlos Magalhães como "um dos grandes líderes políticos do Estado, que defendeu e projetou a Bahia" no cenário nacional. "Não tenho medo de comparar o que era a Bahia de ACM e o que é a Bahia e Wagner e Pelegrino", afirmou Neto.
O candidato do Democratas ainda criticou o que chamou de estratégia do PT de dividir a cidade entre ricos e pobres. E refutou a pecha de que o Democratas seria um partido representante das elites. "Essa divisão não existe. E o candidato  Nelson Pelegrino não tem nenhuma autoridade  se colocar como representante do povo. O PT, depois que chegou ao poder, é que virou o partido da elite, o partido dos banqueiros e o partido do mensalão".
Presidente estadual do Democratas, o deputado José Carlos Aleluia endossou as críticas e disse estranhar o discurso do candidato Pelegrino. "Ele fala que nós somos da elite, mas mora no mesmo bairro que eu. Para chegar à casa dele, aliás, é preciso passar por duas portarias. É assim que ele é do povo?", alfinetou.
A TARDE

Guimarães dá recado sobre chapa majoritária em 2014


O deputado federal José Nobre Guimarães (PT), que teve adiado, em eleições passadas, o sonho de concorrer a um cargo majoritário (Senado, Governo ou vice-governadoria) por conta do escândalo dos dólares na cueca, saiu da disputa pelas Prefeituras mandando recado para quiser ouvir: estará na chapa majoritária em 2014.
O caso dos dólares virou notícia nacional quando um ex-assessor de Guimarães, na Assembléia Legislativa, foi detido em São Paulo transportando dólares na cueca. Guimarães herdou desse escândalo o desgaste político e, por esse motivo, não se encorajou a concorrer a um mandato de senador ou governador. Agora, ele quer mudar a história.
Bem próximo ao ex-presidente Lula, com quem estará, em Fortaleza, nos próximos dias para fortalecer a candidatura de Elmano de Freitas, Guimarães sabe que a hora chegou. Seja na aliança com o PSB, PMDB ou em um novo projeto do PT no Estado do Ceará, o objetivo é único: disputar um cargo majoritário em 2014.
A pessoas bem próximas, Guimarães faz as contas, calcula os riscos e demonstra desapego à reeleição ao mandato de deputado federal quando coloca na agenda o projeto de outros vôos políticos. Bem que gostaria de alimentar a aliança com o PSB do governador Cid Gomes.
Guimarães foi um dos principais interlocutores da coligação PT-PSB nas eleições de 2006, 2008 (Prefeitura de Fortaleza) e 2010, mas o ambiente arruinou com os permanentes conflitos entre Cid, Ciro e Luizianne Lins. O clima azedo do quadro atual promete se manter a caminho de 2014.

Ceará Agora

Combate ao racismo é o programa que mais sofreu cortes no orçamento de 2013


O combate ao racismo e à desigualdade racial sofrerá a maior redução entre todos os programas temáticos do governo federal em 2013. Levantamento do Contas Abertas, realizado com base em comparação entre os Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2012 e 2013, verificou que o programa orçamentário "Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial" teve seus recursos reduzidos em 46,5%.
No PLOA 2012, o total destinado ao programa era de R$ 73,1 milhões. Já em 2013, caiu para R$ 39,1 milhões. Essa será a quinta menor dotação orçamentária para um programa temático do governo federal em 2013. (veja aqui PLOA  de 2013)
Apesar da redução, é importante ressaltar que os valores inicialmente estabelecidos pelo PLOA ainda podem subir, dependendo das emendas orçamentárias que venham a ser propostas pelos parlamentares e pelas comissões.
Ano passado, as emendas conseguiram elevar a dotação do programa de combate ao racismo em 60,8%. Caso essa proporção se repita em 2013, o programa chegaria à dotação de R$ 62,9 milhões – valor inferior ao de 2012 e suficiente para ganhar apenas uma posição na lista de programas temáticos com mais recursos.
Em 2012, boa parte das emendas vieram de deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. O presidente da comissão, o deputado Domingos Dutra (PT - MA), criticou a redução das verbas no PLOA 2013. “Todo ano o governo reduz os recursos para a área social, especialmente para a questão da igualdade racial. É incompreensível. Lamentamos profundamente que, no governo da presidente Dilma Rousseff, continue ocorrendo essa redução inexplicável”, disse.
A diminuição nas verbas contraria a mensagem oficial enviada pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional no início deste ano, em que o governo destaca a "evidente ampliação" das políticas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial "na agenda do governo nos próximos quatro anos".

Contas Abertas

Uece terá primeiro Mestrado Acadêmico para as Faculdades no Interior


A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aprovou mais um curso de Mestrado Acadêmico para a Universidade Estadual do Ceará (Uece), o Mestrado Acadêmico em Educação e Ensino. Esse será o primeiro mestrado da Universidade no interior do estado, configurando um marco histórico de consolidação da Instituição em seu processo pioneiro de interiorização e em sintonia com a política de valorização pela administração superior das faculdades da Uece no Interior.

O novo curso mestrado terá caráter intercampi, envolvendo a Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (FAFIDAM), em Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe; e a Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (FECLESC), em Quixadá. A primeira turma do curso terá inicio em 2013, com uma oferta de 10 vagas.

O Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino da Uece tem como área de concentração a temática "Educação, Escola e Movimentos Sociais. As linhas de pesquisas são: "Educação, Escola, Ensino e Formação Docente"; e "Trabalho, Educação e Movimentos Sociais".

A Capes divulgou os resultados parciais da apreciação de propostas de novos cursos de 2012, no último dia 03, nos quais foram analisados e recomendados durante a 139ª Reunião do Conselho Técnico-Científico de Educação Superior (CTC-ES), realizada no período de 24 a 28 de setembro de 2012, em Brasília. Deste modo, a Uece passa a oferecer 31 Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu.

Governo do Ceará

Dilma e Lula analisam desempenho do PSB


Em conversa com Dilma Rousseff, Lula analisou o desempenho de Eduardo Campos projetando 2014. Avaliou que o governador, se quiser pleitear a Presidência, precisará amarrar o PSB, já que em cidades como Belo Horizonte e Campinas o partido seria "sublegenda'' do PSDB, que lançará Aécio Neves.

Autonomia

 Já interlocutores de Dilma se mostram surpresos com o PSB, que ainda não reivindicou mais espaço no governo após o bom resultado nas urnas. Acreditam que a sigla prepara desembarque da base aliada, já que os atuais ministérios -Portos e Integração Nacional- são periféricos.

Painel Folha

Mensalão tucano continua sem data de julgamento


Sete anos após a revelação do esquema pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a concluir o julgamento da Ação Penal 470, o Mensalão. Até o momento, foram condenados 25 dos 38 réus do processo – com destaque para o operador do esquema, o empresário Marcos Valério, e os petistas José Dirceu, ministro da Casa Civil no primeiro governo Lula; José Genoíno, ex-presidente do partido; e Delúbio Soares, ex-tesoureiro da sigla.
Se o período de sete anos entre a descoberta e o julgamento do Mensalão foi longo, há um esquema de corrupção semelhante e mais antigo que aguarda análise do STF. Catorze anos depois de supostamente ter ocorrido, sete anos após ser descoberto e cinco anos depois de ser denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR), o chamado mensalão tucano, ou mensalão mineiro, continua sem data de julgamento.

O mensalão tucano – considerado pelo Ministério Público Federal (MP) como “a origem e o laboratório” do mensalão do PT, devidos às semelhanças entre os dois escândalos – teria sido o esquema para alimentar ilegalmente, com dinheiro de estatais, a campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG), então presidente do partido, ao governo de Minas Gerais em 1998.
De acordo com o Ministério Público, no mensalão do PSDB foram desviados pelo menos R$ 3,5 milhões das estatais mineiras: R$ 1,5 milhão da Companhia de Abastecimento de Minas Gerais (Copasa), R$ 1,5 milhão da Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e R$ 500 mil do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge). A verba era repassada às empresas de Valério a título de patrocinar eventos esportivos promovidos pelas estatais. As competições teriam sido superfaturadas e a maior parte dos recursos canalizada para a campanha de Azeredo, derrotada nas urnas.
Segundo o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, hoje aposentado, as semelhanças entre os mensalões são várias. Em 89 páginas, a denúncia da PGR descreve como Marcos Valério, o mesmo operador, utilizou as mesmas empresas (suas agências de publicidade, a DNA Propaganda e a SMP&B Comunicações), o mesmo banco (o Rural) e o mesmo artifício (empréstimo fictícios) para desviar dinheiro público para a campanha de Azeredo. Ainda em comum, o mesmo marqueteiro: Duda Mendonça.
Segundo as investigações, também houve farta distribuição de dinheiro a parlamentares no mensalão mineiro. As ligações entre os dois esquemas não se limitam às estabelecidas pelo então procurador. O relator do processo do mensalão tucano também é o ministro Joaquim Barbosa, o mesmo do valerioduto federal.
Em dezembro de 2009, os ministros do STF receberam a denúncia e abriram processo criminal contra o hoje deputado Eduardo Azeredo, acusado de peculato e lavagem de dinheiro por participação no esquema. Na sessão de abertura, o hoje presidente do STF, Carlos Ayres Britto, apontou as semelhanças entre os esquemas. “Os protagonistas, o modus operandi, o tipo de benefício, um agente central nesse processo do ponto de vista da operacionalização que não entendia nada de publicidade, mas tudo de finanças e como obter com extrema facilidade recursos financeiros para campanhas eleitorais (em referência ao empresário Marcos Valério)”, disse.
Apesar das várias semelhanças entre os esquemas, o processo do mensalão mineiro foi desmembrado e apenas Azeredo e o seu então candidato a vice, Clésio Andrade (PMDB-MG) – hoje senador –, ambos com foro privilegiado, terão as acusações analisadas no STF. Ao contrário do que ocorreu no processo do mensalão federal – no qual todos os réus foram julgados pela Corte máxima, apesar de só três dos 38 terem foro privilegiado –, os outros treze acusados do mensalão mineiro vão responder ao processo junto à Justiça Estadual de Minas Gerais (veja a lista completa aqui). Dentre eles, o empresário Marcos Valério, condenado a corrupção ativa, lavagem de dinheiro e peculato no mensalão federal (ainda será julgado por evasão de divisas e formação de quadrilhas).
O desmembramento do valerioduto tucano, inclusive, foi usado pelo revisor do processo do Mensalão, o ministro Ricardo Lewandovski, para defender a tese de desmembramento da Ação Penal 470. Lewandovski destacou que o relator daquela ação também havia sido Joaquim Barbosa. Por sua vez, o relator chegou a interromper o colega para lembrar que defendeu o desmembramento do Mensalão no início do processo e foi derrotado em plenário.
Assim, apesar de o processo contra Azeredo ser aparentemente mais simples, com apenas dois réus, ainda não há qualquer previsão para o caso ser julgado. Tanto no STF como na Justiça mineira, o processo ainda está na fase de oitiva de testemunhas. Com a demora, há o risco de prescrição das penas em caso de condenação: as acusações contra Azeredo prescrevem em 2014.

Joaquim Barbosa e o mensalão tucano

Relator de ambos os mensalões no STF, o ministro Joaquim Barbosa assume a presidência do tribunal em novembro e, segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, não deve levar os processos que estão sob sua responsabilidade para relatar. Dessa forma, a relatoria do mensalão mineiro ficará nas mãos do ministro que a presidente Dilma Rousseff nomeará no lugar do atual presidente da corte, o ministro Carlos Ayres Britto, que se aposenta em novembro.
Segundo Joaquim Barbosa, “a imprensa nunca deu bola ao ‘mensalão mineiro’”. As informações também são da coluna de Bergamo. A colunista informa que Barbosa acredita que o risco de prescrição no mensalão tucano é até maior do que havia no mensalão federal. O ministro ainda teria dito a interlocutores que, se no caso do mensalão petista tudo quase sempre foi aprovado por unanimidade no STF, no mineiro as dificuldades sempre foram maiores.
O futuro presidente do STF também questiona a imprensa em relação ao mensalão mineiro. Quando procurado por repórteres para falar do processo contra petistas, provoca, ao fim da entrevista: “E sobre o outro, vocês não vão perguntar nada?”. Segundo a colunista, o ministro recebe como resposta “sorrisos amarelos”.
Mensalão do DEM
Outro esquema de corrupção que ganhou a alcunha “mensalão” foi o que envolveu a cúpula do governo de José Roberto Arruda no Distrito Federal, entre 2007 e 2010. O mensalão do DEM do DF, como ficou conhecido, veio a público no final de 2009 por meio da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF), tendo como base depoimentos do então secretário de Relações Institucionais do Governo, Durval Barbosa, que aceitou colaborar com a PF em troca de redução da pena em caso de condenação.
Apesar de ser chamado de mensalão do DEM, envolveu políticos de outros partidos. Entre os supostos envolvidos destacavam-se: o então governador do DF, José Roberto Arruda; o seu vice, o empresário Paulo Octávio; o então presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente; o deputado distrital Júnior Brunelli (PSC); o então deputado federal Augusto Carvalho (PPS); e a então líder do governo na Câmara Legislativa na época, Eurides Brito (PMDB).
Quase três anos após a operação Caixa de Pandora, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ofereceu denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra 37 acusados (veja a lista completa de acusados aqui). Os crimes pelos quais eles serão investigados são: corrupção – ativa e passiva –, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A denúncia será apreciada e julgada pelo STJ porque um dos envolvidos é conselheiro de tribunal de contas e tem direito àquele foro privilegiado.

Brasil é o que mais atazana empresas com tributos


Desde que o Banco Mundial iniciou, em 2005, uma comparação internacional do tempo gasto em cada país com o pagamento de impostos, o Brasil permanece cristalizado na pior colocação.
Uma empresa de médio porte, aqui, leva 2.600 horas por ano -ou o equivalente a mais de 108 dias- para reunir dados, calcular valores devidos e preencher documentos relativos aos principais tributos.
Não há nada semelhante nos 183 países listados pelo Banco Mundial. Penúltima colocada sete anos atrás, a Ucrânia já reduziu, desde então, de 2.185 para 657 as horas dedicadas às obrigações com o fisco. Entre os países mais desenvolvidos, a média é de 186.
Um novo levantamento será divulgado nos próximos dias pelo banco multilateral. Mas a longevidade dessa e doutras anomalias já custou à economia brasileira mais uma classificação vexatória.
Pela segunda vez consecutiva, o sistema tributário nacional foi considerado o mais hostil aos negócios na América Latina -região já tradicionalmente pródiga em burocracia e taxações exóticas.
O ranking, que incluiu 18 países, foi elaborado pela publicação "Latin Business Chronicle" e apresentado com o colorido título "Paraísos e Infernos Fiscais Latinos".
Exemplo mais vistoso do segundo grupo, o Brasil tem a segunda maior tributação sobre o lucro das empresas, de 34%, pouco abaixo dos 35% cobrados na Argentina.
A razão entre a carga total e os lucros médios das companhias, de 67,1%, também supera com folga a média latino-americana, de 52,1%. No Chile, cujo fisco é o mais amigável, são 25%.
Todavia a expressão mais evidente da indesejável liderança brasileira é mesmo a complexidade de seu sistema de impostos, taxas e contribuições. E, mais especificamente, daqueles que incidem sobre a produção e o consumo.
Essa modalidade responde, na pesquisa do Banco Mundial, por mais da metade das horas destinadas pelas empresas a compromissos tributários. Representa, ainda, quase 50% da receita dos governos federal, estaduais e municipais, bem acima da média das principais economias, em torno de 30%.
Enquanto a melhor experiência internacional recomenda o uso de um único imposto sobre a circulação de bens e serviços (mais taxações seletivas para um número restrito de artigos), o Brasil conta com cinco tributos principais, distribuídos nas três esferas de governo.
O governo Dilma Rousseff acena com a unificação de dois deles, PIS e Cofins, que, hoje, já incidem sobre as mesmas operações. É melhor que nada, mas muito pouco.
Consultor Jurídico

Luizianne contra-ataca Cid Gomes e Elmano se diz surpreso com decisão de Inácio Arruda


A prefeita de Fortaleza e presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Luizianne Lins, recebeu em um hotel na Av. Beira-Mar, nesta segunda-feira (15), os 30 prefeitos do partido eleitos no Ceará no último pleito. No entanto, a disputa na Capital foi o assunto central antes da reunião.
O cenário político no município após o primeiro turno foi um dos primeiros pontos abordados pela prefeita. Durante entrevista, Luizianne se disse "triste" com a decisão de Inácio Arruda (PC do B) de apoiar o candidato Roberto Cláudio (PSB).
"Fiquei triste, pois sempre foi um aliado histórico. Eu lamento, é um aliado importante que foi para o lado de lá", salientou a prefeita de Fortaleza.
Surpreso, o candidato Elmano de Freitas também comentou a escolha de Inácio Arruda, que julgou ser um "equívoco político".
"Fiquei surpreso e lamentei que em Fortaleza, tendo o palanque do Lula e o do Ciro, o companheiro Inácio Arruda tenha apoiado o palanque do Ciro Gomes", pontuou o petista, sendo ainda mais duro ao finalizar sua análise sobre a posição do comunista: "Acho um grande equívoco político, o maior equívoco que ele já fez nesse processo eleitoral, mas respeito".
Contra-ataque
As polêmicas declarações do governador do Ceará, Cid Gomes, na última quarta-feira (10) rendeu comentários de Luizianne Lins. O chefe do executivo estadual comparou a corrente petista de “DST”, em um encontro em Brasília/DF.
"É lamentável e vindo de um governador é uma grande baixaria. Ele fere com preconceito que ele demonstrou através da fala, ao fazer uma brincadeira de mau gosto", pontuou.
Sobre o antigo apoio recíproco entre PT e PSB em Fortaleza, Luizianne foi enfática e fez questão de deixar clara a quebra da aliança política.
"Tínhamos muitas críticas ao Governo Cid, só que evitávamos fazer respeitando o fato de estarmos todos em uma aliança", ressaltou a prefeita, que avaliou a ruptura: "agora, estamos diante de um partido que é oposição a outro. Não temos mais nenhum compromisso de aliança, agora, estamos colocando nosso posicionamento frente a o que virou esse governo do Cid".
DN

Liberdade de Imprensa, por Murilo Leitão


Em tempo de eleições, principalmente quando das coletivas de imprensa das autoridades que conduzem o procedimento, muito se fala sobre liberdade de imprensa, invariavelmente exaltada como um dos pilares da democracia.
Entretanto, e com o devido respeito, infelizmente a liberdade de imprensa no Brasil ainda está longe de ser o que dela se fala.
No Brasil existe nitidamente um fosso entre os veículos de comunicação. Os grandes, que se divulgam pela televisão e os com robusta penetração popular, recebem tratamento visivelmente distinto daqueles de menor alcance, como blogs, jornais regionais, revistas de inserção reduzida, etc.
E é por isso que a agressão ou violência física contra qualquer jornalista de uma emissora de televisão é ordinariamente tratada como causadora de gigantesca comoção nacional, atenção nem sempre dispensada a outros membros da mesma profissão.
Segundo dados da ONG Press Emblem Campaign publicados neste mês de outubro, o Brasil é o quarto país mais violento no mundo para jornalistas, atrás apenas da Síria, México e Somália, e à frente de outros como Afeganistão e Iraque.
Nem mesmo nossos vizinhos latino-americanos, apontados como ditatoriais, por exemplo, Venezuela e Bolívia, superam nosso torto Estado Democrático.
A violência contra o exercício do jornalismo no Brasil não se restringe às agressões físicas, podendo chegar a ser chancelada, quando não produzida, por quem deveria coibi-la: o Poder Judiciário.
Isso porque a censura e as condenações impostas aos veículos de comunicação, especialmente, repita-se, aos de menor inserção, são de assustar.
O artigo 5º, XIV da Constituição Federal é de redação muito clara e interpretação inquestionável ao pontuar que “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.
Sem sombra de dúvida, é um dispositivo que mirou em cheio nas atrocidades cometidas no período de exceção legal vivido no país, tentando estabelecer um mínimo de garantias não só para os jornalistas, como também para advogados, médicos, psicólogos e todos aqueles que mantêm relação de fidúcia com seu cliente e/ou fonte de informações ou sigilo.
Mas o trato jurídico diário, nos embates forenses em torno da defesa de jornalistas no exercício da profissão, revela enorme dificuldade na produção de provas capazes e suficientes para a defesa dos interesses do cliente, muito pela resistência dos magistrados na aplicação das diretrizes saídas do referido dispositivo constitucional.
Aqui no Brasil a distribuição do ônus na produção da prova em juízo segue, comumente, pela diretriz básica “quem acusa deve provar”, esquecendo-se, por vezes, que há inúmeras exceções à referida regra, como na hipótese do resguardo da fonte que inviabiliza ao jornalista indicar suas testemunhas ou quais suas fontes.
Ainda por cima, a matriz constitucional nunca foi devidamente regulamentada, dificultando sua efetiva aplicação na defesa da liberdade de imprensa.
Claro que isso não pode servir de justificativa à sua inobservância, afinal, não é por existir uma lacuna regulamentadora que ao magistrado é facultado ignorar os parâmetros basilares vindos da fundação do Estado.
Deve ele, sim, pautar-se nas inúmeras técnicas de hermenêutica, ou seja, de interpretação da Lei a partir da conveniência fática com a qual se depara.
A Lei, por certo, antes de ser uma garantidora de direitos, é o texto por onde são escancaradas as mazelas da sociedade.
Se a Constituição diz que é assegurado o sigilo da fonte, está ao mesmo tempo dizendo que na realidade o sigilo da fonte é frequentemente desrespeitado e por isso o texto legal surgiu para corrigir essa falha, traçando balizas que deverão ordenar a atuação dos homens responsáveis pela condução do país e pela aplicação da lei, sejam juízes, parlamentares, promotores, delegados... e por aí vai.
Melhor explicando: o desrespeito ao sigilo da fonte é o que justifica a previsão constitucional asseguradora da garantia capaz de reverter referida calamidade, a qual passa a ser de observância obrigatória aos operadores da Lei.
Surge então outro complicador. Há certo tempo, ao fazer uma rápida pesquisa, constatei que um mesmo Senador da República, ex-presidente do Senado, aforou, em um mesmo dia, 8 processos contra veículos de imprensa e mais 12 dentro de um único mês. Em pouquíssimo tempo, foram 20 processos. Isso em apenas um Tribunal.
Já em outra pesquisa, dessa vez no sítio eletrônico do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, encontrei algo em torno de 20 processos ativos movidos por um mesmo parlamentar contra veículos de imprensa. Aqui em Brasília, são quase 9 do mesmo parlamentar igualmente contra jornalistas.
Muitos parlamentares brasileiros, que juram respeito e defesa à Constituição, são verdadeiros fregueses do Judiciário quando se trata de processar jornalistas, e geralmente jornalistas que estão fora dos grandes veículos de massa.
Os processos, muitas vezes, são utilizados na tentativa de desvendar a fonte ou até para que se obtenha uma decisão judicial capaz de ser exibida à opinião pública como uma satisfação a denúncias, o que nem sempre é meta inalcançável, notadamente pelo engessamento interpretativo de um ou outro magistrado quanto ao sigilo da fonte ou das garantias de críticas conferidas a qualquer cidadão.
Daí porque a enorme quantidade de ações: ele só precisa ganhar uma!
Mas não se pode deixar de registrar que alguns magistrados, dentre eles o Ministro Celso de Mello do Supremo Tribunal Federal, e a Ministra Nancy Andrighi do Superior Tribunal de Justiça, são exímios defensores e julgadores quando as prerrogativas da imprensa são questionadas, atuando dentro da sobriedade capaz de combater o mau jornalismo e enaltecer o trabalho sério, informativo e de crítica.
Enfim, de qualquer forma, a estrutura do Estado Brasileiro, no geral, ainda está muito aquém de garantir uma liberdade de imprensa satisfatória. Até agora patinamos e escorregamos nesse assunto. O que precisamos, e é vital, é aprender a levantar e a nos fortalecer pelo caminho.

Murilo Leitãoadvogado do escritório Lira Rodrigues, Coutinho e Aragão Advogados, Brasília/DF.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Projeto autoriza empresa a deduzir do IR doação de remédio a trabalhador


A Câmara analisa o Projeto de Lei 4145/12, do deputado Antonio Bulhões (PRB-SP), que permite às empresas deduzir do Imposto de Renda gastos com fornecimento de remédios de alto custo e uso contínuo fornecidos gratuitamente a seus funcionários. Pela proposta, esses gastos poderão ser descontados integralmente até o limite de 4% do imposto devido.
Para comprovar o valor das doações, bastará à empresa apresentar a nota fiscal da compra do medicamento especializado, acompanhada de requerimento administrativo com assinatura de recebimento pelo empregado. Caberá ao funcionário interessado solicitar o benefício ao empregador.
Benefícios
Segundo o texto, o Ministério da Saúde será o órgão responsável por definir a lista de doenças que podem dar direito ao benefício, além de aprovar os medicamentos a serem doados.
De acordo com Bulhões, a medida vai facilitar os tratamentos de saúde dos trabalhadores. “Nossa proposta traz uma opção a mais para auxiliar a saúde do brasileiro com carteira assinada”, afirma.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Agência Câmara