segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sarney destaca papel de Ulysses Guimarães na transição democrática


Ao discursar na sessão em homenagem à memória de Ulysses Guimarães (1916-1992), nesta segunda-feira (15), o presidente do Senado, José Sarney, destacou o importante papel desempenhado pelo político paulista no processo de transição democrática, durante as décadas de 70 a 90. Sarney relembrou sua relação com Ulysses e exaltou a capacidade de articulação do então líder da oposição ao governo militar.
— Ulysses sempre soube atuar muito bem sobre os núcleos de decisões. Ele sabia como estas são tomadas e sabia atuar no momento exato. Ele era uma voz que não podia deixar de ser ouvida e uma força de equilíbrio. Ele era o muro da lamentação dos aflitos e marginalizados pelas lideranças nas lutas parlamentares e a todos sabia untar com os santos óleos da paciência, nos purgatórios das esperas — disse Sarney, destacando a altivez e o talento do deputado, que conheceu nos anos 50.
Na avaliação de Sarney, Ulisses Guimarães teve o seu momento mais alto em sua trajetória política, em 1973, no momento em que lançou sua anticandidatura simbólica, pelo MDB, à Presidência da República, como forma de protesto contra a ditadura militar.
— Era [Ulysses Guimarães] um exímio costurador e alinhavava com extrema perfeição a conspiração da boa causa. Muitas vezes, depois de uma palavra, um discurso, um gesto duro, aparecia em nossa casa, eu, presidente do PDS, para convidar-me a conspirar para queimar etapas na então transição “lenta, gradual e segura” — recordou.
Sarney sublinhou ainda o fascínio que Ulysses Guimarães tinha pela “voz das ruas”.
— Para ele [a opinião pública] era uma flauta mágica. A ninguém devotou maior fidelidade. A opinião da rua era a opinião do povo, e o povo era o seu único guia — frisou.
Comentando sua passagem pelo Executivo, quando ocupou a pasta do Ministério da Indústria e Comércio, no gabinete Tancredo Neves, no início dos anos 60. Sarney elogiou Ulysses Guimarães pela “postura parlamentar” que soube preservar no desempenho do cargo.
— Seu breve interregno no Executivo, como Ministro da Indústria e Comércio do gabinete parlamentarista de Tancredo Neves, não mudou seu perfil de ser antes de tudo um Parlamentar e, mais ainda, um Deputado — disse Sarney.
Sarney destacou ainda a atuação de Ulysses na fundação do PMDB em 1979. Segundo Sarney, com a morte de Tancredo Neves, em 1985, foi em Ulysses Guimarães que buscou apoio.
— Nunca, na história deste país, alguém teve tanto respeito e consideração do Presidente da República quanto Ulysses Guimarães. Três figuras, Pinheiro Machado, Afrânio de Melo Franco — na incapacidade de Delfim Moreira — e Ulysses Guimarães, gozaram dessa força e prestígio. Ulysses foi maior. Maior seu talento, sua respeitabilidade, sua grandeza – afirmou, relembrando o tempo que, como presidente da República, teve no então presidente da Câmara dos Deputados.
Sarney também destacou o papel do político do PMDB durante a Assembleia Nacional Constituinte. Ele asseverou que sua relação com Ulysses sempre foi de respeito, mesmo quando discordavam.
O presidente do Senado homenageou também dona Mora, a esposa de Ulysses, que faleceu na queda de helicóptero no litoral de Angra dos Reis (RJ), juntamente com o assessor e amigo Severo Gomes e sua esposa Anna Maria. Sarney recordou ter visto seus filhos chorarem ao saber da morte de Ulysses. Ao fim da sessão solene, ele observou que os discursos em homenagem ao deputado, que "encarnava o Congresso", poderiam durar toda a noite, e configuravam uma "coroa de sonetos" em memória de Ulysses.
Agência Senado

Justiça julga improcedente ação contra Marta Suplicy


A 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por maioria de votos, acolheu recurso da defesa da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy e do ex-secretário de Comunicação, Valdemir Garreta, contra condenação em primeira instância por improbidade administrativa. Proposta pelo Ministério Público, a ação analisava eventual irregularidade na veiculação de propaganda oficial durante a gestão da então prefeita.
Na ação, que tramitou na 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, o Ministério Público alegou que a propaganda utilizada pela Prefeitura reproduzia a imagem de cinco homens de mãos dadas nas cores vermelha e branca, e da frase “Governo da Reconstrução”, representando suposta alusão ao Partido dos Trabalhadores. Tanto ela quanto Garreta foram condenados às penas de suspensão de direitos políticos e de proibição de contratação com a administração pública pelo prazo de três anos.
A defesa dos réus, coordenada pelos advogados Pedro SerranoLeonardo Rangel e Fernanda Miranda, do escritório Tojal, Teixeira Ferreira, Serrano & Renault Advogados Associados, recorreu. Os advogados reivindicaram a improcedência total dos pedidos formulados pelo MP, com afastamento das sanções previstas na Lei de Improbidade administrativa, o que foi acatado pela 7ª Câmara de Direito Público do TJ de São Paulo.

Vereador é assassinado a tiros


O vereador Francisco de Assis Pio, o Titico (PP), da Câmara Municipal de Picos, foi assassinado por volta das 18h30 deste domingo (14/10) na localidade Angical dos Domingos, zona rural da cidade.
Dois homens, ainda não identificados, foram os autores do assassinato. Uma multidão foi Hospital Regional Justino Luz, em Picos, saber dos desdobramentos. O corpo foi levado ao necrotério do hospital.
Segundo informação do portal Richão Net, de Picos, o motorista que conduzia o veículo do vereador, identificado por Chiquim, também foi ferido a tiros. O delegado Regional de Picos, Adolfo Henrique Soares Cardoso, disse que informou que Titico estava com mais três pessoas.
Titico teria se envolvido em uma confusão por motivos políticos durante uma bebedeira. Um homem, armado, disparou de um revólver calibre 38 e acertou pelo menos três tiros no vereador. Morreu na hora. Considerado um dos vereadores mais conhecidos de Picos, ele já foi presidente da Câmara e tinha bastante eleitores. Na eleição deste ano obteve 1.101 votos. 
O vereador estaria comemorando a sua reeleição quando foi abordado pelos dois motoqueiros. O pai de Titico, o ex-vereador de Picos Pedro Barbosa, também foi morto vítima de um homicídio ocorrido em 2002 e os acusados deste crime permanecem presos. As reais motivações da morte de Titico devem ser investigada. A polícia continua buscas pelos envolvidos.
180 graus

Barbosa condena Duda Mendonça e sócia por lavagem de dinheiro


O relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa, condenou, nesta segunda-feira (15), o publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes pelo crime de lavagem de dinheiro, referente a 53 depósitos recebidos em uma conta no exterior. No entender do relator, essa remessa de valores teve sua origem ocultada pelos réus. Anteriormente, Barbosa havia absolvido Duda e Zilmar pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionados à operação envolvendo cinco saques realizados na agência do Banco Rural em São Paulo.
De acordo com o ministro, os réus ocultaram a origem da remessa de valores enviados a uma conta criada por Duda em uma offshore em Bahamas - a Dusseldorf -, uma vez que não declararam o montante ao Banco Central e à Receita Federal. Duda foi o responsável pela campanha que elegeu o ex-presidente Lula em 2002 e teria usado a conta para receber os pagamentos das dívidas contraídas pelo PT através de Marcos Valério - apontado como operador do mensalão. O montante recebido por Duda e Zilmar através desses 53 depósitos, segundo o relator, é de R$ 10,4 milhões.
"Tudo o que foi depositado naquela conta foi providenciado por Valério e Simone (Vasconcelos) era quem avisava dos pagamentos", disse, citando a ex-diretora da SMP&B, uma das empresas de Valério. “Não há provas para dizer que Duda e Zilmar sabiam dos crimes antecedentes, então não se pode dizer sobre o crime de evasão de divisas (...) Mas tinham conhecimento de que os 53 depósitos foram realizados por meio de saídas ilegais ao exterior pelo grupo de Valério, que contou com o apoio do núcleo financeiro do Rural."
Anteriormente, Barbosa havia absolvido Duda e Zilmar por lavagem de dinheiro, referente aos cinco saques feitos na agência do Banco Rural em São Paulo, no valor total de R$ 1,4 milhão. Segundo o ministro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não conseguiu reunir provas suficientes para a condenação dos dois, nesta parte da acusação.
Barbosa também considerou que os dois réus não podem ser condenados pelo crime de evasão de divisas e os absolveu. No entanto, ele se disse aberto a mudar sua posição, dependendo da discussão sobre o fato em plenário. "Estou aberto a outra solução", afirmou. Durante o debate, o revisor, Ricardo Lewandowski, adiantou seu voto, e absolveu Duda e Zilmar por evasão de divisas.
De acordo com o relator, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares foi quem pediu que Zilmar falasse com Valério para que ele quitasse a dívida do partido pelos serviços prestados na campanha de 2002.
No encontro, Valério teria indicado que ela receberia o primeiro pagamento em uma agência do Banco Rural. Barbosa listou os repasses, que, de acordo com ele, seguiram "o mesmo esquema de lavagem de dinheiro disponibilizado pelo Banco Rural por meio do grupo de Valério". O banco, segundo o relator, registrava que os saques eram feitos não pela sócia de Duda Mendonça, mas pela SMP&B, agência de Valério, e que os montantes eram destinados a pagamento de fornecedores.
Segundo o ministro, entretanto, "não há como afirmar que ambos integravam a quadrilha e a organização criminosa ou mesmo que tinham conhecimento dos crimes anteriores". "É até possível que tinham o objetivo de sonegar tributos, porém foram denunciados neste item por lavagem de dinheiro, e não por sonegação fiscal.”
Quanto à acusação de evasão de divisas relativa à operação envolvendo saques no Banco Rural, Barbosa falou que Duda e Zilmar mantinham depósitos no exterior superiores a US$ 100 mil, o que é proibido por lei. Entretanto, à época dos acontecimentos, havia uma brecha nas regras que tratavam da declaração de depósitos desta espécie ao Banco Central. Segundo Barbosa, não importava o quanto de dinheiro era movimentado durante o ano, contanto que, ao tempo da declaração, não houvesse valores superiores a US$ 100 mil.
O ministro citou que nos dias 31 de dezembro de 2003 e 31 de dezembro de 2004 nem Duda nem Zilmar tinham depositado no exterior mais do que o limite permitido.
Outras decisões
Também em relação a acusação de evasão de divisas, o relator do mensalão condenou Marcos Valério; seu ex-sócio, Ramon Hollerbach; a ex-diretora da SMP&B Simone Vasconcelos, o ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado e a ex-presidenta da instituição Kátia Rabello.
Ele absolveu o ex-sócio de Valério Cristiano Paz, o ex-diretor do Banco Rural Vinícius Samarane e a ex-funcionária da SMP&B Geiza Dias. Segundo seu entendimento, não há provas contra esses réus que caracterizem o crime. 
Atrasos e mudanças
Na sessão de hoje, houve uma alteração do cronograma, devido ao atraso dos ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello. Estava previsto que os ministros do Supremo concluíssem o item que trata das acusações de lavagem de dinheiro contra os ex-deputados Paulo Rocha (PT-PA), Professor Luizinho (PT-SP), João Magno (PT-MG), a ex-assessora de Rocha Anita Leocádia, o ex-ministro de Transportes Anderson Adauto e o ex-chefe de gabinete de Adauto José Luiz Alves.
Segundo a asessoria do Supremo Tribunal Federal, os únicos três ministros que faltam votar no item anterior - Mendes, Celso de Mello e o presidente do Supremo, Ayres Britto - devem fazê-lo após o intervalo. Já estão absolvidos desta acusação os réus Professor Luizinho, Anita Leocádia e José Luiz Alves.
IG

Relator do mensalão absolve Duda Mendonça por saques


Brasília - O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministroJoaquim Barbosa, votou pela absolvição do publicitário da campanha de Lula em 2002, Duda Mendonça, e de sua sócia Zilmar Fernandes pela acusação de lavagem de dinheiro relativa a cinco saques no Banco Rural. Ele vai analisar ainda a conduta dos dois relativa aos depósitos feitos no exterior na conta Dusseldorf. Duda e Zilmar são acusados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas pelos recursos recebidos no exterior.Barbosa entendeu que, apesar de terem se beneficiado do mecanismo de lavagem de dinheiro disponibilizado pelo Banco Rural e por Marcos Valério, o publicitário Duda Mendonça e sua sócia poderiam não ter conhecimento de que o dinheiro recebido era proveniente de crimes. "Entendo que há dúvida razoável sobre se Duda e Zilmar tinham conhecimento dos crimes antecedentes".
O relator destacou ainda que a própria Zilmar fez os cinco saques no montante de R$ 1,4 milhão disponibilizado pelo esquema. Para o ministro, o objetivo dos publicitários seria apenas receber por serviços prestados ao PT na campanha de 2002. "Ao que tudo indica, o objetivo final de Duda e Zilmar era tão-somente o recebimento da dívida dos serviços publicitários que prestaram".
Barbosa afirmou que não há como comprovar a prática de lavagem de dinheiro. Disse que pode ter havido sonegação fiscal, mas que isso não foi denunciado pelo Ministério Público.
EXAME

Comissão discutirá fim do exame da OAB


A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle debaterá, na quarta-feira (17), a proposta de extinguir o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Amaro Henrique Lins. A audiência será realizada às 10 horas, no Plenário 9.
A aprovação no exame é, hoje, necessária para que o bacharel em Direito possa exercer a profissão de advogado. O assunto é tratado em 18 projetos de lei que tramitam em conjunto na Câmara. A maioria quer a extinção da prova, por considerar o diploma de ensino superior suficiente, mas alguns propõem ampliar as funções do exame e outros, substituí-lo por comprovação de estágio ou de pós-graduação.
Os projetos tramitam em caráter conclusivo e devem ser votados apenas na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) antes de irem ao Senado. O relator na CCJ, deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), apresentou um substitutivo, na última quarta-feira (10), que determina o fim do exame da OAB.
O debate na Comissão de Fiscalização Financeira foi proposto pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autor de um dos projetos que pedem a extinção (PL 2154/11). “Esse exame cria uma obrigação absurda que não é prevista em outras carreiras, igualmente ou mais importantes. O médico faz exame de Conselho Regional de Medicina para se graduar e ter o direito ao exercício da profissão?”, questiona Cunha.

Heitor Férrer afirma que não irá apoiar nenhum candidato no 2º turno

O deputado Heitor Férrer (PDT) apresentou uma série de argumentos para explicar porque não irá apoiar nem Roberto Cláudio (PSB), nem Elmano de Freitas (PT) neste 2º turno em Fortaleza. 

Para o pedetista, por exemplo, apoiar Roberto seria negar a própria história. "Eu sempre fiz severas críticas ao governo Cid Gomes (que apoia Roberto)", disse, destacando algumas polêmicas, como a viagem do governador para a Europa em um jatinho fretado com dinheiro público - e que teve como um dos passageiros a própria sogra -, e também o caso dos empréstimos consignados.

Heitor disse ainda que estar ao lado de Roberto Cláudio neste 2º turno seria defender uma oligarquia no Ceará, "uma hegemonia que é prejudicial à democracia". 

Apesar da postura, o partido do deputado - o PDT - e o PPS - que teve Alexandre Pereira como vice na sua chapa - já fecharam apoio a Roberto Cláudio.

Em relação a Elmano, o deputado disse apenas que apoiar o petista seria "defender o continuísmo".

O pedetista também afirmou que não poderia obrigar seu eleitor a votar em A ou B, devido ao seu perfil livre e independente. "O meu eleitor não é de curral eleitoral. Ele é livre, independente e extremamente politizado", ressaltou.


O POVO

Opinião: Projeto de poder


Depois do golpe de 1964, os generais eram candidatos compulsórios a ocupar a Presidência da República, que passou a ser o cargo máximo da carreira. Na hora da sucessão, a briga era decidida pelo maior número de tropas, tanques, canhões e demais apetrechos da caserna.
Um general tinha a 4ª Região a favor, mas a Escola Superior de Guerra tinha outro pretendente. A Vila Militar preferia outro nome. Da contabilidade bélica, surgia o escolhido.
A ditadura caiu -custou, mas caiu. Tanques e canhões foram recolhidos aos quartéis -e que lá fiquem. Em substituição, voltamos a buscar aquilo que santo Agostinho chamou de "excremento do demônio", aquele "metal" que costumam chamar de "vil": o dinheiro.
No atual julgamento do mensalão, gostei da intervenção do presidente do STF, ministro Ayres Britto, que não culpou o governo em si, mas referiu-se ao "projeto de poder" do PT. Projeto formulado, timidamente, a partir do primeiro governo de Lula e revitalizado pela atual cúpula partidária. O mensalão seria uma espécie de laboratório para a conquista do fim.
Contudo tenho de lembrar que o PT não é o primeiro a pretender um projeto de poder. Lá atrás, o finado ex-ministro Sergio Motta, no primeiro governo de FHC, falou também na necessidade desse laboratório, que garantiria 20 anos de poder ao PSDB. E fez por onde: obteve a emenda da reeleição - que garantiu novo mandato ao presidente de então. Por sinal, um presidente que a perspectiva histórica começa a fazer justiça, com méritos maiores do que inevitáveis defeitos.
A emenda que possibilitou a reeleição teve o preço em dólares. Alguns congressistas mais ligados com o esquema tucano chegaram a renunciar ao mandato para não passarem pelo vexame da cassação.

CARLOS HEITOR CONY


394 servidores foram expulsos do Planalto !


O governo fechou setembro com a marca de 394 servidores expulsos, demitidos ou destituídos da máquina federal por envolvimento em falcatruas diversas. Não é pouca coisa. Segundo a Controladoria-Geral da União, exclusivamente no mês passado, foram 59 exonerados (recorde histórico para setembro), uma impressionante marca de quase dois por dia.

Lauro Jardim

Lula recomenda calma para Haddad e critica agressividade de Serra


“Tem gente que não agüenta quando a coisa esquenta. Ao invés de enfrentar os problemas, acha que é mais fácil pular fora, deixando a coisa estourar na mão dos outros”, disse o ex-presidente Lula em referência a José Serra (PSDB), durante comício de seu correligionário e candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Lula também recomendou calma à Haddad e condenou a gressividade de Serra. 
Durante a campanha presidencial de 2010, Serra pressionou Lula para que censurasse os comentários negativos a sua campanha na internet. “O Serra precisa saber de uma coisa: uma eleição a gente ganha convencendo os eleitores a votarem na gente e não tentando impugnar a candidatura do adversário”, disparou na época. O conselho segue mais atuais do que nunca e para todas as disputas de 2º turno destas eleições municipais de 2012.

Correio do Brasil

Mudança na força das siglas no CE

O resultado das eleições deste ano revela que as prefeituras cearenses continuam concentradas sob o poder de cinco agremiações, apesar de as urnas terem mostrado alterações na força eleitoral de partidos historicamente importantes no Estado. Embora 28 siglas tenham disputado o pleito no Ceará, pelo menos 66,7% das prefeituras deverão ser administradas, a partir do próximo ano, por gestores filiados a apenas cinco legendas. PSB, PT, PSD, PMDB e PRB elegeram, juntos, 123 prefeitos.

A contabilização de prefeitos por partido realizada pelo Diário do Nordeste exclui os 15 municípios em que há possibilidade de mudança nos eleitos porque aguardam decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o registro de candidatura e também Fortaleza, que poderá ficar com PT ou PSB, a depender do resultado do segundo turno.

Em 2008, as siglas que mais conquistaram mandatos de prefeito foram, respectivamente, PSDB, PMDB, PSB, PRB e PT. Neste ano, a criação de partidos e o novo cenário de alianças revelam mudanças na força dos partidos no Ceará. PSB e PT, por exemplo, obtiveram crescimento significativo. O PSD, apesar de ser um partido novo, elegeu 26 prefeitos na primeira disputa.

Após a eleição deste ano, as cinco agremiações com maior número de prefeitos passam a ser, respectivamente, PSB, PT, PSD, PMDB e PRB. O PSDB, que elegeu 54 prefeitos em 2008, acabou perdendo 25 que migraram para o PSD e, neste ano, elegeu apenas oito. O PMDB também perdeu espaço, embora ainda se mantenha entre as cinco siglas que detêm mais prefeituras, pois saiu da primeira posição para a quarta.

Surpresa

O PSB foi o partido que mais elegeu prefeitos neste ano, totalizando 35 gestores. São 13 a mais que os eleitos em 2008 e ainda há perspectiva de aumentar esse número por conta de cidades cuja situação está indefinida em razão da espera do julgamento de recursos pelo TSE. O deputado José Sarto, que integra o diretório estadual do PSB, diz que o resultado surpreende e representa a consolidação do crescimento do partido no Ceará.



"A consolidação foi constatada nesta eleição. E olha que o partido é muito ético, não trabalha cooptando lideranças. Não fez assédio político em nenhum município. O PSB foi procurado, fizemos avaliação qualitativa dos quadros políticos e houve rejeição em alguns casos. É um crescimento qualitativo", afirma. Segundo Sarto, o governador Cid tem influência direta no resultado: "Como temos o Governo, isso atrai as lideranças".

Para ele, o resultado deste ano é fruto da busca do partido pela ocupação de cargos públicos, mas não respalda previsões de possíveis cenários para a disputa de 2014. "Hoje, o PSB é aliado ao PT. Mas o PT foi apresentando candidaturas muitas vezes para marcar posição, e o PSB está procurando espaço político para crescer. Não está se vislumbrando 2014", afirma.

Já o PT elegeu 26 prefeitos neste ano, 11 a mais do que nas eleições de 2008. O deputado José Guimarães, que articulou a campanha eleitoral no Nordeste, considera que o PT obteve um "crescimento extraordinário", visto que é o segundo partido em número de prefeituras e o primeiro em número de votos nominais no Ceará.

"Tiramos, com todos os nossos candidatos, mais de 800 mil votos. Foi o maior crescimento dos partidos no Ceará. Penso que elegemos em torno de 200 vereadores e estamos no segundo turno em Fortaleza, então é uma vitória espetacular. Crescemos 100%, e isso mostra o vigor com que o partido atua".

Crescimento
Conforme Guimarães, o PT conquistou cidades importantes no Estado, além de estar presente em diferentes regiões cearenses. Nacionalmente, o PT vem crescendo e disputando um espaço historicamente ocupado pelo PMDB em relação à quantidade de cargos eletivos.

Para o deputado petista, isso é natural, pois faz parte do projeto de poder que as legendas procurem ocupar esses espaços. "É natural que os partidos queiram crescer, e estamos fazendo a nossa parte. Vamos trabalhar nosso projeto. O que vai acontecer depois vamos ver. Por enquanto, é dar velocidade ao trem. Ninguém esperava esse resultado, que foi o melhor da história", considera.

O PMDB, em 2008, foi o segundo partido que mais elegeu prefeitos: 33. Neste ano, elegeu apenas 21, caindo para o quarto partido com maior número de prefeituras. O Diário do Nordeste tentou entrar em contato com o presidente estadual da sigla, senador Eunício Oliveira, mas ele estava viajando.

O PSDB é outra agremiação que vem perdendo espaço em relação à ocupação de cargos eletivos. Em 2008, elegeu 54 prefeitos, mas 25 deles migraram para o PSD. Neste ano, elegeu oito. Para o presidente estadual tucano, Marcos Cals, o desempenho do PSDB no pleito deste ano foi positivo, considerando que o partido é o único que está na oposição nas três esferas de poder.

"Estou satisfeito com a desenvoltura do meu partido. Lembre-se que os demais partidos ou estão no governo de Fortaleza, ou no governo estadual ou federal. E o PSDB está coligado com 44 prefeituras eleitas. Nós contribuimos em 44 municípios com a eleição desses prefeitos", avalia. Cals diz que apenas 25 candidatos tucanos concorreram, pois alguns foram impugnados.

Além disso, o tucano argumenta que não é o partido que ajuda a eleger os prefeitos, mas os deputados. "Eu fui deputado por seis mandatos. Quem ajuda a eleger prefeito no Interior é deputado federal ou estadual. Em 2011, perdemos cinco deputados estaduais e três suplentes de deputados estaduais. E o federal, que foi Manoel Salviano. Estou falando como funciona. Quem ajuda a eleger não é o partido em si, mas os deputados. Então, teve um reflexo. Eu, quando era deputado estadual, tinha ligado a mim oito prefeituras do PSDB e cinco de outros partidos", explica.

Beatriz Jucá para o Diário do Nordeste

Sponholz