segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Barbosa condena Duda Mendonça e sócia por lavagem de dinheiro


O relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa, condenou, nesta segunda-feira (15), o publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes pelo crime de lavagem de dinheiro, referente a 53 depósitos recebidos em uma conta no exterior. No entender do relator, essa remessa de valores teve sua origem ocultada pelos réus. Anteriormente, Barbosa havia absolvido Duda e Zilmar pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionados à operação envolvendo cinco saques realizados na agência do Banco Rural em São Paulo.
De acordo com o ministro, os réus ocultaram a origem da remessa de valores enviados a uma conta criada por Duda em uma offshore em Bahamas - a Dusseldorf -, uma vez que não declararam o montante ao Banco Central e à Receita Federal. Duda foi o responsável pela campanha que elegeu o ex-presidente Lula em 2002 e teria usado a conta para receber os pagamentos das dívidas contraídas pelo PT através de Marcos Valério - apontado como operador do mensalão. O montante recebido por Duda e Zilmar através desses 53 depósitos, segundo o relator, é de R$ 10,4 milhões.
"Tudo o que foi depositado naquela conta foi providenciado por Valério e Simone (Vasconcelos) era quem avisava dos pagamentos", disse, citando a ex-diretora da SMP&B, uma das empresas de Valério. “Não há provas para dizer que Duda e Zilmar sabiam dos crimes antecedentes, então não se pode dizer sobre o crime de evasão de divisas (...) Mas tinham conhecimento de que os 53 depósitos foram realizados por meio de saídas ilegais ao exterior pelo grupo de Valério, que contou com o apoio do núcleo financeiro do Rural."
Anteriormente, Barbosa havia absolvido Duda e Zilmar por lavagem de dinheiro, referente aos cinco saques feitos na agência do Banco Rural em São Paulo, no valor total de R$ 1,4 milhão. Segundo o ministro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não conseguiu reunir provas suficientes para a condenação dos dois, nesta parte da acusação.
Barbosa também considerou que os dois réus não podem ser condenados pelo crime de evasão de divisas e os absolveu. No entanto, ele se disse aberto a mudar sua posição, dependendo da discussão sobre o fato em plenário. "Estou aberto a outra solução", afirmou. Durante o debate, o revisor, Ricardo Lewandowski, adiantou seu voto, e absolveu Duda e Zilmar por evasão de divisas.
De acordo com o relator, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares foi quem pediu que Zilmar falasse com Valério para que ele quitasse a dívida do partido pelos serviços prestados na campanha de 2002.
No encontro, Valério teria indicado que ela receberia o primeiro pagamento em uma agência do Banco Rural. Barbosa listou os repasses, que, de acordo com ele, seguiram "o mesmo esquema de lavagem de dinheiro disponibilizado pelo Banco Rural por meio do grupo de Valério". O banco, segundo o relator, registrava que os saques eram feitos não pela sócia de Duda Mendonça, mas pela SMP&B, agência de Valério, e que os montantes eram destinados a pagamento de fornecedores.
Segundo o ministro, entretanto, "não há como afirmar que ambos integravam a quadrilha e a organização criminosa ou mesmo que tinham conhecimento dos crimes anteriores". "É até possível que tinham o objetivo de sonegar tributos, porém foram denunciados neste item por lavagem de dinheiro, e não por sonegação fiscal.”
Quanto à acusação de evasão de divisas relativa à operação envolvendo saques no Banco Rural, Barbosa falou que Duda e Zilmar mantinham depósitos no exterior superiores a US$ 100 mil, o que é proibido por lei. Entretanto, à época dos acontecimentos, havia uma brecha nas regras que tratavam da declaração de depósitos desta espécie ao Banco Central. Segundo Barbosa, não importava o quanto de dinheiro era movimentado durante o ano, contanto que, ao tempo da declaração, não houvesse valores superiores a US$ 100 mil.
O ministro citou que nos dias 31 de dezembro de 2003 e 31 de dezembro de 2004 nem Duda nem Zilmar tinham depositado no exterior mais do que o limite permitido.
Outras decisões
Também em relação a acusação de evasão de divisas, o relator do mensalão condenou Marcos Valério; seu ex-sócio, Ramon Hollerbach; a ex-diretora da SMP&B Simone Vasconcelos, o ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado e a ex-presidenta da instituição Kátia Rabello.
Ele absolveu o ex-sócio de Valério Cristiano Paz, o ex-diretor do Banco Rural Vinícius Samarane e a ex-funcionária da SMP&B Geiza Dias. Segundo seu entendimento, não há provas contra esses réus que caracterizem o crime. 
Atrasos e mudanças
Na sessão de hoje, houve uma alteração do cronograma, devido ao atraso dos ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello. Estava previsto que os ministros do Supremo concluíssem o item que trata das acusações de lavagem de dinheiro contra os ex-deputados Paulo Rocha (PT-PA), Professor Luizinho (PT-SP), João Magno (PT-MG), a ex-assessora de Rocha Anita Leocádia, o ex-ministro de Transportes Anderson Adauto e o ex-chefe de gabinete de Adauto José Luiz Alves.
Segundo a asessoria do Supremo Tribunal Federal, os únicos três ministros que faltam votar no item anterior - Mendes, Celso de Mello e o presidente do Supremo, Ayres Britto - devem fazê-lo após o intervalo. Já estão absolvidos desta acusação os réus Professor Luizinho, Anita Leocádia e José Luiz Alves.
IG

Relator do mensalão absolve Duda Mendonça por saques


Brasília - O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministroJoaquim Barbosa, votou pela absolvição do publicitário da campanha de Lula em 2002, Duda Mendonça, e de sua sócia Zilmar Fernandes pela acusação de lavagem de dinheiro relativa a cinco saques no Banco Rural. Ele vai analisar ainda a conduta dos dois relativa aos depósitos feitos no exterior na conta Dusseldorf. Duda e Zilmar são acusados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas pelos recursos recebidos no exterior.Barbosa entendeu que, apesar de terem se beneficiado do mecanismo de lavagem de dinheiro disponibilizado pelo Banco Rural e por Marcos Valério, o publicitário Duda Mendonça e sua sócia poderiam não ter conhecimento de que o dinheiro recebido era proveniente de crimes. "Entendo que há dúvida razoável sobre se Duda e Zilmar tinham conhecimento dos crimes antecedentes".
O relator destacou ainda que a própria Zilmar fez os cinco saques no montante de R$ 1,4 milhão disponibilizado pelo esquema. Para o ministro, o objetivo dos publicitários seria apenas receber por serviços prestados ao PT na campanha de 2002. "Ao que tudo indica, o objetivo final de Duda e Zilmar era tão-somente o recebimento da dívida dos serviços publicitários que prestaram".
Barbosa afirmou que não há como comprovar a prática de lavagem de dinheiro. Disse que pode ter havido sonegação fiscal, mas que isso não foi denunciado pelo Ministério Público.
EXAME

Comissão discutirá fim do exame da OAB


A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle debaterá, na quarta-feira (17), a proposta de extinguir o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Amaro Henrique Lins. A audiência será realizada às 10 horas, no Plenário 9.
A aprovação no exame é, hoje, necessária para que o bacharel em Direito possa exercer a profissão de advogado. O assunto é tratado em 18 projetos de lei que tramitam em conjunto na Câmara. A maioria quer a extinção da prova, por considerar o diploma de ensino superior suficiente, mas alguns propõem ampliar as funções do exame e outros, substituí-lo por comprovação de estágio ou de pós-graduação.
Os projetos tramitam em caráter conclusivo e devem ser votados apenas na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) antes de irem ao Senado. O relator na CCJ, deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), apresentou um substitutivo, na última quarta-feira (10), que determina o fim do exame da OAB.
O debate na Comissão de Fiscalização Financeira foi proposto pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autor de um dos projetos que pedem a extinção (PL 2154/11). “Esse exame cria uma obrigação absurda que não é prevista em outras carreiras, igualmente ou mais importantes. O médico faz exame de Conselho Regional de Medicina para se graduar e ter o direito ao exercício da profissão?”, questiona Cunha.

Heitor Férrer afirma que não irá apoiar nenhum candidato no 2º turno

O deputado Heitor Férrer (PDT) apresentou uma série de argumentos para explicar porque não irá apoiar nem Roberto Cláudio (PSB), nem Elmano de Freitas (PT) neste 2º turno em Fortaleza. 

Para o pedetista, por exemplo, apoiar Roberto seria negar a própria história. "Eu sempre fiz severas críticas ao governo Cid Gomes (que apoia Roberto)", disse, destacando algumas polêmicas, como a viagem do governador para a Europa em um jatinho fretado com dinheiro público - e que teve como um dos passageiros a própria sogra -, e também o caso dos empréstimos consignados.

Heitor disse ainda que estar ao lado de Roberto Cláudio neste 2º turno seria defender uma oligarquia no Ceará, "uma hegemonia que é prejudicial à democracia". 

Apesar da postura, o partido do deputado - o PDT - e o PPS - que teve Alexandre Pereira como vice na sua chapa - já fecharam apoio a Roberto Cláudio.

Em relação a Elmano, o deputado disse apenas que apoiar o petista seria "defender o continuísmo".

O pedetista também afirmou que não poderia obrigar seu eleitor a votar em A ou B, devido ao seu perfil livre e independente. "O meu eleitor não é de curral eleitoral. Ele é livre, independente e extremamente politizado", ressaltou.


O POVO

Opinião: Projeto de poder


Depois do golpe de 1964, os generais eram candidatos compulsórios a ocupar a Presidência da República, que passou a ser o cargo máximo da carreira. Na hora da sucessão, a briga era decidida pelo maior número de tropas, tanques, canhões e demais apetrechos da caserna.
Um general tinha a 4ª Região a favor, mas a Escola Superior de Guerra tinha outro pretendente. A Vila Militar preferia outro nome. Da contabilidade bélica, surgia o escolhido.
A ditadura caiu -custou, mas caiu. Tanques e canhões foram recolhidos aos quartéis -e que lá fiquem. Em substituição, voltamos a buscar aquilo que santo Agostinho chamou de "excremento do demônio", aquele "metal" que costumam chamar de "vil": o dinheiro.
No atual julgamento do mensalão, gostei da intervenção do presidente do STF, ministro Ayres Britto, que não culpou o governo em si, mas referiu-se ao "projeto de poder" do PT. Projeto formulado, timidamente, a partir do primeiro governo de Lula e revitalizado pela atual cúpula partidária. O mensalão seria uma espécie de laboratório para a conquista do fim.
Contudo tenho de lembrar que o PT não é o primeiro a pretender um projeto de poder. Lá atrás, o finado ex-ministro Sergio Motta, no primeiro governo de FHC, falou também na necessidade desse laboratório, que garantiria 20 anos de poder ao PSDB. E fez por onde: obteve a emenda da reeleição - que garantiu novo mandato ao presidente de então. Por sinal, um presidente que a perspectiva histórica começa a fazer justiça, com méritos maiores do que inevitáveis defeitos.
A emenda que possibilitou a reeleição teve o preço em dólares. Alguns congressistas mais ligados com o esquema tucano chegaram a renunciar ao mandato para não passarem pelo vexame da cassação.

CARLOS HEITOR CONY


394 servidores foram expulsos do Planalto !


O governo fechou setembro com a marca de 394 servidores expulsos, demitidos ou destituídos da máquina federal por envolvimento em falcatruas diversas. Não é pouca coisa. Segundo a Controladoria-Geral da União, exclusivamente no mês passado, foram 59 exonerados (recorde histórico para setembro), uma impressionante marca de quase dois por dia.

Lauro Jardim

Lula recomenda calma para Haddad e critica agressividade de Serra


“Tem gente que não agüenta quando a coisa esquenta. Ao invés de enfrentar os problemas, acha que é mais fácil pular fora, deixando a coisa estourar na mão dos outros”, disse o ex-presidente Lula em referência a José Serra (PSDB), durante comício de seu correligionário e candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Lula também recomendou calma à Haddad e condenou a gressividade de Serra. 
Durante a campanha presidencial de 2010, Serra pressionou Lula para que censurasse os comentários negativos a sua campanha na internet. “O Serra precisa saber de uma coisa: uma eleição a gente ganha convencendo os eleitores a votarem na gente e não tentando impugnar a candidatura do adversário”, disparou na época. O conselho segue mais atuais do que nunca e para todas as disputas de 2º turno destas eleições municipais de 2012.

Correio do Brasil

Mudança na força das siglas no CE

O resultado das eleições deste ano revela que as prefeituras cearenses continuam concentradas sob o poder de cinco agremiações, apesar de as urnas terem mostrado alterações na força eleitoral de partidos historicamente importantes no Estado. Embora 28 siglas tenham disputado o pleito no Ceará, pelo menos 66,7% das prefeituras deverão ser administradas, a partir do próximo ano, por gestores filiados a apenas cinco legendas. PSB, PT, PSD, PMDB e PRB elegeram, juntos, 123 prefeitos.

A contabilização de prefeitos por partido realizada pelo Diário do Nordeste exclui os 15 municípios em que há possibilidade de mudança nos eleitos porque aguardam decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o registro de candidatura e também Fortaleza, que poderá ficar com PT ou PSB, a depender do resultado do segundo turno.

Em 2008, as siglas que mais conquistaram mandatos de prefeito foram, respectivamente, PSDB, PMDB, PSB, PRB e PT. Neste ano, a criação de partidos e o novo cenário de alianças revelam mudanças na força dos partidos no Ceará. PSB e PT, por exemplo, obtiveram crescimento significativo. O PSD, apesar de ser um partido novo, elegeu 26 prefeitos na primeira disputa.

Após a eleição deste ano, as cinco agremiações com maior número de prefeitos passam a ser, respectivamente, PSB, PT, PSD, PMDB e PRB. O PSDB, que elegeu 54 prefeitos em 2008, acabou perdendo 25 que migraram para o PSD e, neste ano, elegeu apenas oito. O PMDB também perdeu espaço, embora ainda se mantenha entre as cinco siglas que detêm mais prefeituras, pois saiu da primeira posição para a quarta.

Surpresa

O PSB foi o partido que mais elegeu prefeitos neste ano, totalizando 35 gestores. São 13 a mais que os eleitos em 2008 e ainda há perspectiva de aumentar esse número por conta de cidades cuja situação está indefinida em razão da espera do julgamento de recursos pelo TSE. O deputado José Sarto, que integra o diretório estadual do PSB, diz que o resultado surpreende e representa a consolidação do crescimento do partido no Ceará.



"A consolidação foi constatada nesta eleição. E olha que o partido é muito ético, não trabalha cooptando lideranças. Não fez assédio político em nenhum município. O PSB foi procurado, fizemos avaliação qualitativa dos quadros políticos e houve rejeição em alguns casos. É um crescimento qualitativo", afirma. Segundo Sarto, o governador Cid tem influência direta no resultado: "Como temos o Governo, isso atrai as lideranças".

Para ele, o resultado deste ano é fruto da busca do partido pela ocupação de cargos públicos, mas não respalda previsões de possíveis cenários para a disputa de 2014. "Hoje, o PSB é aliado ao PT. Mas o PT foi apresentando candidaturas muitas vezes para marcar posição, e o PSB está procurando espaço político para crescer. Não está se vislumbrando 2014", afirma.

Já o PT elegeu 26 prefeitos neste ano, 11 a mais do que nas eleições de 2008. O deputado José Guimarães, que articulou a campanha eleitoral no Nordeste, considera que o PT obteve um "crescimento extraordinário", visto que é o segundo partido em número de prefeituras e o primeiro em número de votos nominais no Ceará.

"Tiramos, com todos os nossos candidatos, mais de 800 mil votos. Foi o maior crescimento dos partidos no Ceará. Penso que elegemos em torno de 200 vereadores e estamos no segundo turno em Fortaleza, então é uma vitória espetacular. Crescemos 100%, e isso mostra o vigor com que o partido atua".

Crescimento
Conforme Guimarães, o PT conquistou cidades importantes no Estado, além de estar presente em diferentes regiões cearenses. Nacionalmente, o PT vem crescendo e disputando um espaço historicamente ocupado pelo PMDB em relação à quantidade de cargos eletivos.

Para o deputado petista, isso é natural, pois faz parte do projeto de poder que as legendas procurem ocupar esses espaços. "É natural que os partidos queiram crescer, e estamos fazendo a nossa parte. Vamos trabalhar nosso projeto. O que vai acontecer depois vamos ver. Por enquanto, é dar velocidade ao trem. Ninguém esperava esse resultado, que foi o melhor da história", considera.

O PMDB, em 2008, foi o segundo partido que mais elegeu prefeitos: 33. Neste ano, elegeu apenas 21, caindo para o quarto partido com maior número de prefeituras. O Diário do Nordeste tentou entrar em contato com o presidente estadual da sigla, senador Eunício Oliveira, mas ele estava viajando.

O PSDB é outra agremiação que vem perdendo espaço em relação à ocupação de cargos eletivos. Em 2008, elegeu 54 prefeitos, mas 25 deles migraram para o PSD. Neste ano, elegeu oito. Para o presidente estadual tucano, Marcos Cals, o desempenho do PSDB no pleito deste ano foi positivo, considerando que o partido é o único que está na oposição nas três esferas de poder.

"Estou satisfeito com a desenvoltura do meu partido. Lembre-se que os demais partidos ou estão no governo de Fortaleza, ou no governo estadual ou federal. E o PSDB está coligado com 44 prefeituras eleitas. Nós contribuimos em 44 municípios com a eleição desses prefeitos", avalia. Cals diz que apenas 25 candidatos tucanos concorreram, pois alguns foram impugnados.

Além disso, o tucano argumenta que não é o partido que ajuda a eleger os prefeitos, mas os deputados. "Eu fui deputado por seis mandatos. Quem ajuda a eleger prefeito no Interior é deputado federal ou estadual. Em 2011, perdemos cinco deputados estaduais e três suplentes de deputados estaduais. E o federal, que foi Manoel Salviano. Estou falando como funciona. Quem ajuda a eleger não é o partido em si, mas os deputados. Então, teve um reflexo. Eu, quando era deputado estadual, tinha ligado a mim oito prefeituras do PSDB e cinco de outros partidos", explica.

Beatriz Jucá para o Diário do Nordeste

Sponholz


Veja quanto custou aos cofres jardineiro de Collor

Em três meses, os cofres públicos bancaram R$ 67 mil em salários ao jardineiro do ex-presidente Fernando Collor e a duas arquivistas que recebem do Senado,segundo a revista Época, para cuidar da biblioteca particular do senador. Entre abril e junho do ano passado, os gastos com salários e contribuições patronais à Previdência Social somaram R$ 19.887 por mês. É o que mostram registros do Senado obtidos com exclusividade pelo Congresso em Foco.


Se o senador Fernando Collor fosse bancar a despesa mensal com os três funcionários do próprio bolso, gastaria praticamente todo o salário líquido que recebe. O rendimento bruto de um parlamentar é de R$ 26.723 por mês.
Só o jardineiro Acemilton Gonçalves Silva, flagrado pela revista de macacão na Casa da Dinda, recebeu R$ 9.164,45 em três meses do ano passado. Com mais R$ 1.285 de contribuições à Previdência Social, o custo do funcionário pago pelo Senado foi de mais de R$ 10 mil. Foto publicada por Época mostra Acemilton se escondendo logo após chegar na residência da família Collor. As duas arquivistas, informou a publicação, trabalhavam no Centro de Memória do Presidente Fernando Collor, um acervo privado em frente à Casa da Dinda e que não está aberto ao público.
O CONTRACHEQUE DO JARDINEIRO
MÊS: MAIO DE 2011
DescriçãoValor
Vencimento básico731,40
Gratificação de representação do cargo em comissão871,90
Gratificação de desempenho438,84
Tíquete-alimentação638,00
INSS- 224,63
Imposto de renda- 18,81
Contribuição patronal ao INSS- 428,85
Salário brutoR$ 2.680,14
DescontosR$ 243,44
Salário líquidoR$ 2.436,70
Contribuição patronal ao INSSR$ 428,85
Custo totalR$ 3.108,99
Em dezoito meses, R$ 56 mil
Acemilton entrou na folha de pagamento do Senado em fevereiro de 2007, conforme registros de pessoal publicados no portal da Transparência da Casa. Em janeiro de 2010, ganhava R$ 1.800 brutos. Em julho daquele ano, eram R$ 2.500. Em dezembro, mês de 13º salário, recebeu R$ 5.800. Em maio passado, foram R$ 2.680, sendo R$ 2.400 líquidos, conforme contracheque detalhado (veja acima).
Em um ano e meio, de janeiro de 2010 a junho de 2011, o Senado gastou R$ 56 mil com os salários e contribuições previdenciárias do jardineiro Acemilton.
De acordo com os registros do Senado obtidos pelo Congresso em Foco, o jardineiro e as duas arquivistas devem cumprir jornada de 40 horas semanais. Mas os três estão dispensados de bater o ponto.
A reportagem tentou contato com Collor, seus assessores e os três funcionários no sábado (13), mas não conseguiu localizá-los, nem mesmo por meio de ex-auxiliares ou da Secretaria de Comunicação Social do Senado. O gabinete não retornou mensagem eletrônica enviada pelo site.
Atividades particulares proibidas
A assessoria de imprensa do Senado afirmou ao Congresso em Foco que os funcionários estão nomeados nos boletins de pessoal da Casa e que são os senadores que definem as atividades de seus servidores. Disse, no entanto, que os parlamentares não podem empregar os funcionários em atividades particulares.
A assessoria não endossou nem negou a existência de irregularidade na situação do jardineiro e das duas arquivistas. Isso porque nenhum esclarecimento adicional poderia ser prestado até segunda-feira (15).
À revista Época, o chefe de gabinete de Collor, Joberto de Sant’Anna, disse que Acemilton não é jardineiro. “Desempenham, os três servidores (Acemilton, Carmem e Sandra), como assistentes parlamentares, as atividades de apoio que lhes são determinadas”, afirmou em nota por escrito.
Congresso em Foco

Mulher joga café quente em Alckmin durante campanha



Uma mulher não identificada jogou café no rosto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) neste domingo. Durante caminhada do político em Campinas, para apoiar a campanha do candidato a prefeito da cidade Jonas Donizette (PSB), a moça se aproximou do grupo e atirou a bebida que atingiu várias pessoas entre seguranças, fotógrafos e jornalistas.

O rosto, os óculos e parte das mangas e região do bolso da camisa do governador ficaram manchadas pelo liquido. A mulher, que estava vestida toda de branco, foi afastada do grupo pelos seguranças. O governador continuou a caminhada pela Avenida Suaçuna com a roupa com as marcas de café. "Eu adoro café, café no bule, café na xícara. Violência não enche urna. A política é a arte de unir, de trocar ideias", comentou.
Desta vez, Alckmin andou pela Avenida Suaçuna e cumprimentou eleitores. Ele entrou em um mercadinho, passou por uma banca de jornal, falou com um homem que assava carne na calçada e depois foi até um bar interrompendo o jogo de sinuca de um grupo. O candidato Donizette foi convidado e deu duas tacadas conseguindo colocar a bola na caçapa e foi aplaudido.
Por ultimo, o governador subiu em um caminhão de som e fez um discurso. "Essa é uma caminhada cívica. Estou aqui para apresentar o próximo prefeito de Campinas, Jonas Donizette", disse. De acordo com o governador, o candidato reúne todas as qualidades para administrar uma cidade do tamanho de Campinas.
Terra

Eduardo Campos cresce em 2012 para aparecer em 2014

Governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos fecha 2012 cacifado pelo ótimo desempenho nas eleições municipais. Mesmo batendo de frente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o PT, conseguiu vencer as duas eleições que considerava estratégicas e abriu passagem para que seu nome se consolidasse como uma possibilidade real na corrida pelo Palácio do Planalto em 2014.


Mesmo enfrentando diretamente candidatos petistas, que tiveram apoio declarado de Lula e da presidente Dilma Rousseff, Campos foi bem sucedido ao ganhar a prefeitura do Recife, com Geraldo Júlio (PSB), interrompendo um longo ciclo de poder petista. A outra vitória foi em Belo Horizonte, numa espécie de consórcio político com o senador tucano Aécio Neves. Ambos bancaram a candidatura à reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB) contra Patrus Ananias (PT) e foram bem sucedidos.
As duas vitórias deram a Campos a possibilidade de transitar entre a base governista e a oposição. Se opera politicamente em Minas ao lado de Aécio e no Paraná ao lado do governador Beto Richa, também do PSDB, preserva sua posição de integrante da base do governo Dilma. Tem, inclusive, cota clara no primeiro escalão, indicando Fernando Bezerra Coelho como ministro da Integração Nacional.
A questão é como dar esse salto passando de líder regional para um nome nacional. Campos admite lançar-se à disputa em 2014, nem que seja para não vencer, dizem seus amigos. É a estratégia mais curta para se tornar um nome conhecido para que possa concorrer em pé de igualdade com os outros no futuro.
Viagens e comícios pouco ajudam, calcula. O que vale mesmo é a presença na TV no horário eleitoral. O exemplo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, derrotado três vezes antes de vencer a disputa em 2002, é claro. De tanto que apareceria nas propagandas eleitorais ficou um rosto conhecido. "Um comício atinge umas 3 mil pessoas. A exposição na mídia nas inserções do Jornal Nacional chegam a milhares e milhares de casas", diz Campos.
O ex-ministro Ciro Gomes, colega de PSB, é outro que se tornou conhecido porque apareceu na propaganda eleitoral em duas campanhas para a Presidência. Campos diz que Ciro é mais conhecido que Aécio, provável candidato à Presidência pelo PSDB - o senador tucano nunca se expôs na mídia em campanha presidencial.
Neto e herdeiro político do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes (1916-2005), Campos só veio a conhecer o avô aos nove anos de idade, quando foi levado pelos pais Maximiano Campos e Ana Arraes a uma viagem além-mar, em 1974. Arraes, deposto e preso pelo golpe de 1964, era um dos principais opositores da ditadura militar. Se exilara na Argélia desde 1965 e lá ficaria até 1979, quando foi anistiado e pôde voltar ao Brasil.

Dom Quixote. A exemplo do xará Miguel de Cervantes, que em Dom Quixote conta as histórias do período em que foi prisioneiro em Argel, até a fuga para a Europa, Arraes gastava noites e noites falando de sua passagem pela capital argelina, o golpe sofrido pelo presidente Ben Bella (1918-2012), a guinada dos governos africanos para a esquerda sob influência da União Soviética, os longos 13 anos do governo de Houari Boumédiène (1932-1978), que nacionalizou empresas, principalmente as petrolíferas francesas.
Campos, então com 14 anos, era o maior ouvinte de tudo o que Arraes contava. Grudou-se no avô, perguntava, dava opinião, rebatia, complementava. Arraes comentou à época que via naquele garoto grandes chances de vir a se tornar um político.
Manteve-o por perto. Em 1985 o neto foi eleito presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Pernambuco. Em 1986, Arraes candidatou-se ao governo e fez dele o dono de sua agenda. Eleito, Arraes chamou o neto para a sua chefia de gabinete. Campos estava então com 21 anos.